A questão de como gerenciar bem conflitos será sempre um ponto a desenvolver. Conflitos e desejos... e a necessidade típica de ser uma boa menina contribui muito p/ isso...
Tenho ainda a grande vontade de sair correndo de uma situação dessas. Medo primitivo da humilhação! Esta entidade monstruosa e disforme atrapalhou praticamente todas as minhas relações desde muito criança - com familiares, professores, amigos, amantes, chefes e carreira. Tenho plena noção de que muitas das reações que tive e tenho foram construídas sobre a compreensão do sucesso ou insucesso destes embates durante minha infância e juventude. A persona criada para lidar com estas questões funcionou medianamente.
Questão universal. Mas não me consola saber-me humana...
Todos os dias em meus atendimentos em coaching percebo o quanto, em menor ou maior grau, odiamos o conflito. A possibilidade de nos vermos em lados opostos em função de nossos objetivos, deveres, desejos, compreensões e propósitos gera o medo maior. Aquele medo que, apesar das graduações próprias de cada situação, nos remete às sensações básicas e primitivas: de humilhação, de não sermos respeitados/amados, de perder o poder/controle... a morte simbólica, a orfandade de nós mesmos e do amor do outro... Vivemos todos os dias o conflito e mesmo assim é uma das coisas mais difíceis de lidar. Podemos tentar fugir desesperados quando ele mostra sua máscara malvada. Evitar encontrá-lo em nosso caminho com manobras evasivas. Negar sua existência... utilizar qualquer outra ferramenta de fuga que nosso cérebro infinitamente criativo possa milagrosamente conjurar é uma alternativa. Mas esse danado não desaparece de nossas vidas!
Em sua versão saudável, um bom conflito pode trazer benefícios: melhora as relações pois permite uma comunicação mais clara e transparente, traz maior confiança, diminui a raiva e a depressão, aumenta o respeito pelos outros e por si mesmo, propicia maior intimidade, menor medo e um maior senso de força interior.
Sei que é melhor lidar com ele, mas penso ...
•O que posso fazer para lidar com ele quando é tão incomodo ou tenho tanto a perder ? (real ou fantasiosamente)
•Se decidir enfrentá-lo, como fazer de uma forma positiva ?
•Como lidar com alguém que esta chateado sem piorar este sentimento ?
•Como confrontar alguém sem magoar seus sentimentos, ou ser mandada embora, ou sofrer conseqüências desastrosas ?
Achei um material interessante sobre o assunto que resolvi compartilhar:
As 7 Formas de Lidar com o Conflito
1. Evitar
Tática muito utilizada, porém pouco útil já que não oferece a oportunidade de resolução. Podemos evitar o confronto fisicamente e/ou emocionalmente quando escolhemos não atender aquela ligação, não retornar aquele e-mail, nos escondendo por trás da pilastra para não nos verem no shopping, faltando a festa de um amigo por que “você sabe quem” esta lá.
Fugimos também quando respondemos “Nada...” ao nos perguntarem o que está errado. E o pior é que estamos sendo simplesmente emocionalmente desonestos com o outro e conosco para evitar encarar uma posição oposta a nossa. Outro exemplo seria quando alguém nos pergunta o que pensamos ou o que estamos sentindo e decidimos não nos “revelar”.
2. Submeter-se
Na submissão nossos desejos estão fora de negociação. Quando nos submetemos, estamos basicamente deixando que alguém ganhe. Deixamos que o outro “vença” apesar do gosto amargo que isso deixa. Tudo para evitar novamente nos colocarmos no pólo oposto...
3. Ser passivo-agressivo
Essa também é muito conhecida... A pessoa esconde ou manda mensagens dúbias sobre sua raiva ao invés de ser honesta sobre seus sentimentos, pedindo diretamente a mudança. Na superfície parece que esta tudo bem, porém por baixo está a raiva, a vontade oposta...
4. Agredir
A melhor defesa é o ataque, certo ? O agressor muitas vezes é muito eficaz na questão de conseguir o que quer, especialmente dos que evitam o conflito acima de tudo. O problema é que ele deixa um rastro de destruição por onde passa, muitas vezes não ligando ou não percebendo o rastro de sangue e cadáveres deixados para trás.
5. Consenso
Resposta e comportamento mais saudável, mais construtivo. No consenso cada um percebe onde está e oferece um pouco, ou melhor, cede um pouco, para se chegar a um equilíbrio. O consenso constrói um resultado bom e justo para os envolvidos. Porém, notem que pode não ser a ferramenta ideal já que cada parte tem de desistir de algo. Existe uma perda para ambos os lados. A meta aqui está em reduzir o tamanho da perda e chegar a um resultado comum. A vantagem esta na possibilidade de se criar algum nível de contentamento para todos os envolvidos.
6. Resolver em conjunto
Nenhuma das partes envolvidas precisaria abdicar de algo. É um exercício criativo onde pode haver questões a ceder, mas a discussão sobre o conflito abre a oportunidade para a empatia, para a descoberta da questão real do desejo/necessidade de cada um e a descoberta de um caminho em comum onde ambas as partes obtém o que precisam.
7. Honrar a outra pessoa
Honrar o outro pode parecer ser a mesma coisa que ceder ao desejo do outro, mas é o oposto já que nos colocamos como protagonistas. Mudo minha posição por que assim o desejo e por que me agrada., sem mágoa ao amargor. É uma situação ganha-ganha (como diz nosso amigo Franklin Covey) porque a outra pessoa ganha o que quer e somos os responsáveis por isso. Mas note que é um processo de desprendimento já que não colocamos a atitude na lista de créditos ou dívidas a serem cobradas.
Top 10
As razões para evitarmos tanto o conflito não estão em sua maioria baseadas na realidade. São muitas vezes temores irracionais. As 10 razões mais comuns:
1. me machucar
2. ser rejeitado
3. perder a relação
4. me descontrolar
5. ser visto como egoísta
6. dizer a coisa errada
7. falhar
8. machucar o outro
9. medo de conseguir o que eu quero
10. medo da intimidade
O que enfatizo insistentemente é que nossas crenças (+ ou - ) e percepções (reais ou não) são responsáveis por nos sentirmos plenos, realizados, felizes ou não. Nem sempre baseamo-nos na realidade. No fundo estamos sendo desleais conosco mesmos. Desleais, autosabotadores e destrutivos por não oferecer a nós mesmos formas mais amadurecidas e positivas de nos relacionarmos com o outro, de ter intimidade e obter sucesso pessoal e profissional.