quinta-feira, 29 de julho de 2010

O que eu sou vs. o que eu poderia ser

“Know thyself?” If I knew myself, I’d run away
(Johann W. von Goethe)

Sempre me perguntei sobre a origem de minhas motivações...Não bastavam as respostas simples, tais como: dinheiro, poder, reconhecimento, admiração, amor ou qualquer outra resposta...Outra pergunta: Como estas motivações permeiam minha relação com o mundo ? E qual a sua relação com uma vida mais feliz, equilibrada e menos autossabotadora?...
Estudando por aí. Tentando entender o bicho homem e, obviamente, a mim mesma, achei algumas coisas interessantes. Essa abordagem psicodinâmica trouxe um sentido mais profundo para minhas reflexões, relações no trabalho, na vida pessoal e com o mundo.

Começo por uma declaração: o que me constituiu simbolicamente desde minha infância é o que sou agora! Quem sou, minhas motivações e dinâmica relacional atual esta totalmente permeada por construções (saudáveis ou não) iniciadas lá atrás, com meus pais, irmãos, tios, avós, professores e amigos. Essas construções criaram meu senso de identidade. O tempo desenvolveu , de uma maneira relativamente estável, as representações de minhas próprias experiências e dos outros. Essas representações são chamadas de objetos internalizados e são compostas por experiências prazerosas e dolorosas, fantasias, idealizações, pensamentos e imagens que constroem meu mapa afetivo-cognitivo do mundo – o meu teatro interno.

Entendi que desde muito pequeno o bicho homem vai construindo esquemas mentais baseados nas relações estabelecidas com seus cuidadores e relações sociais mais longas. O resultado desta interface é então carregado por toda a vida, guiando suas relações subseqüentes. Essas construções são os códigos operacionais que sustentam a personalidade e modulam o comportamento. Como a gasolina que abastece o carro, o padrão cognitivo e emocional que se desenvolve da inter-relação destes sistemas motivacionais, abastece nosso comportamento. Essa única mistura é que vai determinar a personalidade. Essas representações mentais de nós mesmos, dos outros e de relacionamentos, nos ajudam a dar sentido a todos os aspectos da realidade. Servem como guias para interpretar o que vemos, decidir o que queremos e atuarmos.

A importância que esses sistemas motivacionais tem em cada indivíduo é determinada por 3 forças reguladoras: os padrões de respostas inatas e aprendidas, o papel dos cuidadores importantes, e a força exercida para tentar reproduzir estados emocionais positivos da infância. Conforme essas forças e os sistemas interagem durante o crescimento/maturação, esquemas mentais emergem. Esses esquemas mentais criam modelos de cenas simbólicos – o que chamamos de script dentro do teatro interno de cada pessoa – que por sua vez regulam a fantasia e influenciam no comportamento e na ação. Aqui repousa também a base das crenças limitantes - infernais criaturas sombrias...

Sistemas de Necessidades Motivacionais

Importante salientar que alguns desses sistemas são + básicos que outros. O 1º, e mais importante é o sistema que regula as necessidades fisiológicas da pessoa – necessidade de comida, água, excreção, sono e respiração. O 2º modula a necessidade por estímulos prazerosos, e mais tarde pela excitação sexual. O 3º lida com a necessidade de resposta a certas situações com mecanismos de fuga ou ataque. Esses 3 sistemas básicos impactam obviamente em nossas relações no trabalho, na vida, mas outros 2 - mais sofisticados - são importantíssimos para a vida profissional e pessoal – 1.o sistema de afiliação/ligação, e 2. o sistema de exploração/afirmação.

É nossa natureza a necessidade de nos relacionarmos com outras pessoas , em dividir - sistema de afiliação/ligação. Essa necessidade começa na infância e vai por toda a vida - a experiência universal de querer estar próximo dos outros. Envolve também o prazer de dividir e de existir como indivíduo único e especial. Este sistema confirma o valor pessoal e contribui para a sensação de autoestima .

O 2º sistema , de exploração/afirmação, tem por sua vez papel importante para o que a pessoa se torna e como a pessoa se vê. A necessidade de exploração aparece logo após o nascimento. Esta intensamente ligada com a cognição e aprendizado, e afeta a habilidade da pessoa se divertir e trabalhar. Intimamente ligada a necessidade de exploração esta a necessidade de autoafirmação. A necessidade de ser capaz de escolher o que queremos junto com a capacidade de explorar, produz um senso de efetividade e competência, de autonomia, iniciativa, eficácia. O esforço, a competição e a procura pela perícia são características fundamentais da personalidade e expressão deste sistema. Exercendo a assertividade – seguindo nossas preferências, atuando de uma forma determinada – me afirmo como ser.

Cada um desses sistemas é fortalecido ou perde força quando reage com as 3 forças mencionadas anteriormente (padrões de respostas inatas e aprendidas; o papel dos cuidadores importantes e a força para tentar reproduzir estados emocionais positivos da infância) e que determina o nosso teatro interior. Esses sistemas são a força racional que esta por trás dos comportamentos e ações que são muitas vezes percebidos como irracionais. Em outras palavras, a forma de nos relacionarmos e interagirmos com nossos parentes (e outros cuidadores) durante nossa infância afeta a forma de nos relacionarmos hoje como adultos – especialmente com figuras de autoridade.

Temas Centrais de Conflito - CCRT
(ou Core Conflictual Relationship Theme de Luborsky)

Anteriormente falei do desenvolvimento dos objetos internalizados e teatro interno... O teatro interno tem uma influência profunda nos estados afetivo-cognitivo, comportamentos e ações. Objetos internalizados bons, são construtivos e regenerativos: nos mantém em pé quando a vida esta difícil e constituem os pilares para o bom funcionamento mental. Objetos internalizados maus – ou somente a ausência dos bons – são sementes para comportamentos e personalidade disfuncionais.

Como abordei anteriormente, o script básico do teatro interno de cada pessoa é determinado pelos sistemas de necessidades motivacionais iniciados na infância. Mas permeando esse script, certos temas se desenvolvem com o tempo. Temas que se repetem e refletem a predominância de certos desejos internos (expressão dos objetos internalizados), e que determinam a unicidade de estilo de cada personalidade,de cada um – CCRT. Esses temas centrais se traduzem em padrões consistentes na forma de nos relacionarmos com os outros. Nossos desejos básicos colorem nossos script de vida, que por sua vez moldam a forma de nos relacionarmos com os outros, como interpretamos a reação dos outros e nossas reações em função de tudo isso. Nossas vidas podem ser coloridas pelo desejo de sermos amados,por exemplo, ou pelo desejo de sermos entendidos, de sermos notados, de estarmos livres de conflito, de independência ou ajuda, ou mesmo de atrapalhar, prejudicar ou causar mal ao outro.

Quando vamos para o trabalho, a uma reunião social, etc., levamos esses desejos fundamentais conosco. Projetamos esses desejos nos outros e, baseados nesses desejos, correta ou incorretamente, antecipamos reações e respondemos, não ao real mas a o que interpretamos. Quem um dia não conheceu um líder que evitava conflito a todo custo, tinha um comportamento tirânico, microgerenciava, era inacessível, frenético, narcísico ? Ou um tio, namorado, prima ou amiga controladora, vingativa, ciumenta, possessiva, dramática ou mesmo dependente?

Este estilo dominante, qualquer que seja, tem origem no CCRT. Este tema atua de forma tão potente que leva os subordinados (ou as pessoas que interagem com essa pessoa) a atuarem no “jogo”, tornando as expectativas da pessoa , profecias autorealizadoras.

Infelizmente esses scripts de vida desenhados na infância normalmente tornam-se ineficientes nas situações da vida adulta. Criam um ciclo desnorteante de autodestruição e autossabotagem.

Compreendi que minhas motivações (e o porquê delas) estão incrustadas lá atrás na minha infância...O velho ditado está aí: Por trás de uma homem ou mulher você sempre achara uma criança ! Essas motivações estão ligadas ao meu teatro interno e principalmente ao meu CCRT...Cruzes !!!!.

Mas Isso não significa que não posso mudar ! Significa simplesmente que quando chegamos aos 30, uma parte considerável de nossa personalidade estará formada, e que, se eu não reconhecer o quanto o meu presente é determinado pelo meu passado, tenderei a ter motivações autossabotadoras e farei os mesmos erros repetidamente. Se eu quiser que as coisas sejam diferentes preciso começar por ser diferente. Preciso, acima de tudo, de coragem, vontade e persistência para olhar e trabalhar minha sombra.

É trágico que haja tamanha diferença entre o que somos e o que poderíamos ser.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Colocando as coisas em perspectiva

Uma coisa importante a pensar quando falamos de uma vida plena e feliz é a questão das comparações. As comparações podem ampliar ou deprimir a sensação de sermos ou não felizes, e aqui, a inveja mais uma vez tem papel fundamental.
Colocar em perspectiva
Colocar as coisas em sua devida perspectiva, nos lembrarmos que nossa vida afinal não é tão ruim nos ajuda a distanciar de sentimentos pouco construtivos e de inferioridade. Este processo pode ser muito saudável e envolve comparações intrapsíquicas (quando comparamos nosso presente com um momento menos feliz do passado) e interpessoais. Podemos por exemplo, sermos gratos por nosso carro ter quebrado hoje, quando temos recursos para consertá-lo (diferente de 10 anos atrás quando não poderíamos assumir essa despesa). Ou podemos sentirmo-nos gratos por termos alguém para segurar nossa mão numa cirurgia importante (ao contrário daquele nosso colega de trabalho). Em outras palavras, quando estamos “pra baixo”, ao lembrarmos de situações complicadas de nosso passado ou de outras pessoas, conseguimos nos posicionar de forma mais positiva no aqui e agora. Ao lembrarmos em como as coisas poderiam ser em comparação com algo mais grave é uma maneira universal e bastante construtiva para melhorar o moral e iluminar o espírito.
Um dos 7 pecados
É claro que sempre podemos comparar para cima ou para baixo. As coisas não são sempre melhores que o passado. Nem sempre ganhamos mais, temos uma saúde melhor, somos tão jovens, ou melhores ou espertos. O importante, quando procuramos a felicidade, é lembrarmos que a maioria das pessoas que se dizem felizes, comparam-se para baixo. Não importa a situação, conseguem perceber pessoas em situações piores, o que os faz sentirem-se afortunados. Essas pessoas aprenderam a apreciar as coisas que tem em vez de preocuparem-se com o que os outros têm. Estudos comprovam que os infelizes não só comparam-se com quem esta abaixo, mas principalmente com aqueles que estão acima. Esta comparação é a que valorizam. Sentindo-se profundamente injustiçados, passam seus dias procurando confirmações de que a vida não ofereceu grandes oportunidades. Quando principalmente comparam com quem esta acima, focam no fato de que os outros têm uma vida mais privilegiada e cheia de oportunidades. Pessoas fixadas na questão de que foi oferecido a elas menos que aos outros percebem a vitoria alheia como perda pessoal. Não importa o que persigam (com sucesso ou não) – dinheiro, amor ou poder – sempre são capazes de encontrar alguém melhor, e percebem essa pessoa como usurpadora do que seria seu por direito.
Todos nós nos sentimos em desvantagem algumas vezes, particularmente se nos comparamos com pessoas um pouco mais acima na escada do status, aparência ou poder. O desafio esta em trabalharmos nossas emoções. Visando nossa saúde mental é importante não ficarmos presos demais na negatividade, obsessivos com a questão de sentirmo-nos injustiçados. Porque se nos mantivermos assim, a inveja erguerá sua horrível cabeça e tentará nos devorar.
Comparações interpessoais e inveja fazem parte de um só continuum. A primeira avança gradualmente para a outra, trazendo o que há de pior em nós. Sabemos que algumas pessoas se divertem com a miséria de outras. Essas mesmas pessoas adotam a comparação para cima, o que dispara a inveja e a atitude hostil para com o outro. Mas devemos atentar que essa reação não é só dirigida ao outro. Pessoas invejosas têm sérios problemas com sua autoestima. São mais infelizes consigo mesmas do que com as pessoas que ridicularizam. São mestres nos processos de projeção e cisão, e têm grande dificuldade em lidar com partes inaceitáveis de si mesmos.
Duvido, como todos os estudiosos, que exista alguém que não tenha sentido inveja. Como dizem, a inveja é um sentimento universal e gera uma gama de sentimentos dolorosos: frustração, raiva, autopiedade, ganância, despeito e vingatividade. Enquanto atuar contra este sentimento traz um alívio temporário, quaisquer desses sentimentos podem causar angústia. Ninguém expõe ou verbaliza esses sentimentos, a inveja não é para consumo público. Preferimos escondê-la ou travesti-la. Sabemos que ela é um dos 7 pecados. Temos ampla literatura sobre o assunto e inúmeros ditados.
Algumas vezes a inveja é disfarçada (com sucesso) pela indignação moral. Quando as pessoas tem uma obsessão com atitudes desprezíveis dos outros, normalmente estão sendo “tentadas” pelas mesmas atitudes, dizem os estudiosos. Essas pessoas direcionam sua ira para aquilo que mais temem em si mesmas. Muitas vezes essa indignação é dirigida à sexualidade. A homofobia, indignação dirigida aos homossexuais, é uma forma de lidar com dúvidas sobre a própria identidade sexual. Sabemos de muitos pastores, padres, políticos e astros que pregam sobre o pecado, o vício, a avareza, a ganância e são pegos com prostitutas, crianças, álcool/drogas, desvio de dinheiro, etc. A indignação moral muitas vezes é a inveja com uma auréola.
O alemão tem uma palavra muito interessante: schadenfreude – o prazer com a miséria dos outros. Mas se uma pessoa fundamenta sua felicidade no prazer na miséria alheia, o que isso diz da qualidade de vida dessa pessoa? Apesar de a miséria alheia poder trazer algum prazer (ou alívio por não ser você), a verdadeira felicidade não pode coexistir com a inveja, a maldade ou a vingança.
Quando a inveja aprisiona alguém, limita o potencial humano, endurece a capacidade lúdica, gera separações e leva à infelicidade.
Eu hoje faço o exercício contínuo de tentar colocar as coisas em sua devida perspectiva...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Formula de Albert Einstein

Me disseram que Albert Einstein tinha uma fórmula interessante para o sucesso :
A = X + Y + Z onde,
A = sucesso
X = trabalho
Y = Brincar
Z = manter a boca fechada
Hahahahaha – adorei a parte da boca fechada !!!!
Ninguém saberá o que é realmente felicidade se não algum sucesso em sua vida. O sucesso, ser bem sucedido em algo, cria a sensação de competência, a sensação de sermos capazes de lidar de forma criativa às questões que a vida nos apresenta. Note que para uma autoavaliação positiva precisamos alcançar padrões que estabelecemos para nós mesmos ou pelo grupo, ou ambos... Em outras palavras, o sistema está apoiado em comparações objetivas implícitas ou explícitas. A verdadeira felicidade, dizem também, é totalmente dependente da percepção e da habilidade em lidar com a ansiedade e inquietação interior, resultante de questões autoimpostas quando comparamos onde estamos com onde deveríamos estar – a comparação entre nossas aspirações e onde estamos agora. Mas o mais importante, e principalmente, esquecemos de pensar, é que o sucesso precisa ser mensurado não por aquilo que conseguimos, mas pelos obstáculos que tivemos de superar. Precisamos celebrar as pequenas vitórias durante a jornada.
A riqueza, que muitos de nós usamos como medida de sucesso – aquilo que conseguimos com a fortuna, posição, poder e fama – pode ser um valor efêmero. Pensamos que felicidade é composta de ter e consumir. Mas como perseguir o arcoiris se quando chegamos lá, tudo o que vemos é a névoa. E lá vamos nós atrás dele novamente....
Acho interessante a parte de brincar e “manter a boca fechada”...Ter humor, espírito esportivo e um pouco de otimismo + evitarmos de verbalizar questões pouco contributivas, contribuem para o sucesso interior. Essa prudência e humor nos permite adquirir bens preciosos tais como: amizade, amor, bondade, interesse pelo próximo, empatia, gentileza e sabedoria. Descobri em minha própria pele que a perseguição incansável pelo sucesso fora de mim mesma é a lenda de Sisyphus aqui e agora - empurrando interminavelmente a pedra montanha acima. O paradoxo esta em ficarmos satisfeitos da mesma forma com o que temos e com o que não temos.
Estou tentando...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Alguém para Amar

Os chineses costumam dizer que a felicidade consiste de 3 coisas: alguém para amar, algo para fazer, e algo com que sonhar. Freud acreditava a saúde mental era composta por 2 pilares: a habilidade para amar e a habilidade para trabalhar/produzir. Mas, como diz Kets de Vries, Freud era um workaholic e “esqueceu” de notar que brincar também é uma parte essencial da natureza humana. Kets de Vries acredita que alem de amor e trabalho, todos nós temos uma natureza exploratória, motivacional – claramente percebida em crianças pequenas quando experienciam coisas novas. Sabemos que pessoas que se divertem em seu trabalho são realmente afortunadas, certo ?
Alguém para Amar – Um dos pilares para a felicidade
Todos nos precisamos de alguém para amar, alguém próximo e que podemos confiar. E a razão é bem simples: é da natureza humana a necessidade de se conectar com o outro. O comportamento gregário, a necessidade de nos ligarmos com o outro, esta profundamente arraigada em nossos genes. É nossa ancestralidade. Redes sociais são essenciais para o bem- estar de cada um. Muitas formas de stress , distúrbios de ansiedade, raiva e depressão são o resultado de uma separação ou perda indesejada. A parte essencial de ser humano é nossa necessidade de relacionamento com os outros, de fazer parte de algo. Nosso primeiro relacionamento é vivido com nossos pais, depois com outros membros da família, tais como, irmãos, avós, tios e primos. Mais tarde teremos amigos, namorados, maridos e filhos como objetos de nosso amor. Dividir experiências com esse povo todo é parte importante da equação da felicidade. É como um abraço – para mim a melhor parte é dividi-lo com alguém. Dizem os estudiosos que o segredo da felicidade esta na habilidade para encontrar prazer na felicidade alheia. O desejo de fazer outras pessoas felizes. Então, para experimentarmos a felicidade precisamos aprender a nos desprender de nós mesmos, de preocuparmos com o nosso umbigo. Ninguém é uma ilha ! A necessidade de conexão e associação com o outro atua como um equalizador emocional por confirmar o valor e a contribuição individual, consolidando o senso de autoestima. Ter ligações fortes com amigos e pessoas amadas, ser membro de uma comunidade/grupo são aspectos essenciais para a saúde mental e também para a felicidade. Precisamos diferenciar entre solitude e solidão. O solitário extremo indica uma inabilidade de exteriorização, de transcender a esfera pessoal. Sugere um baixo desenvolvimento psicodinâmico. O pior é que a solidão é autoperpetuadora: pessoas incapazes de se aproximarem de outras pessoas tem pouca esperança de conseguirem acabar com seu comportamento de solidão. Estudos comprovam que uma das mais satisfatórias relações são aquelas onde as pessoas envolvidas são realmente íntimas. A quantidade de tempo que casais compartilham entre si – o nível de companheirismo - determina a qualidade do casamento e por conseguinte, da felicidade. Além de servirem como um “buffer” contra o stress do dia-a-dia, as boas memórias construídas durante um bom e longo relacionamento pode atuar como uma contenção à ansiedade e conflito. Esta função também pode ser assumida por amigos ou familiares próximos. Não podemos esquecer que obtemos grande conforto de nossos amigos quando os tempos estão difíceis. Os amigos nos ajudam a atravessar os entraves da vida e são fundamentais para criar pequenos momentos de felicidade. Eles também servem como um banco de memórias suplementar, nos ajudando a lembrar experiências e coisas de nós mesmos, incluindo momentos bacanas que esquecemos. Amigos também afetam nosso bem-estar. Estudos comprovam também que um bom amigo ajuda na imunidade, na longevidade e redução do stress. Infelizmente a amizade não se desenvolve facilmente. Construir uma amizade – e aqui se inclui o relacionamento com um parceiro – requer trabalho duro e determinação. Precisamos nos esforçar para entender e ajudar o outro, oferecendo uma parte de nós mesmos. A amizade é uma “entidade” frágil que precisa de cuidado, investimento e até sacrifício. Manter uma amizade envolve lealdade, carinho, empatia e prontidão para ajudar quando necessário. E somos retribuídos por um ouvido amigo, um coração que entende e uma mão que ajuda. Apesar das amizades poderem ser muitas vezes transitórias, tornam-se cada vez mais importantes à medida que envelhecemos. Infelizmente, e apesar do aumento em importância, a oportunidade para fazermos novos amigos diminui com o passar dos anos. Como resultado, os amigos perdidos não são repostos. E assim os perdemos...Muitas vezes pela distância, outras vezes os interesses diferem, outras pela falta de esforço, pelas separações ou morte. Assim nosso círculo de relações de boas amizades diminui e abrimos a porta para a infelicidade e o empobrecimento relacional. Precisamos ser ativos na questão de desenvolvermos novas amizades. Como a vida não para, precisamos ser proativos na procura por pessoas que nos sintamos compatíveis, demonstrando interesse por elas. Se não nos esforçarmos por estabelecer novas amizades poderemos terminar na velhice sozinhos – uma situação que desequilibra a equação da felicidade.
Vamos nos interessar por novas pessoas! Vamos assegurar reciprocidade em nossas relações, ser empáticos. Ter real interesse pelo outro – recém chegado ou velho conhecido. Assim estaremos assegurando o equilíbrio desta importante equação que é a felicidade por todo o nosso ciclo de vida.