quinta-feira, 29 de julho de 2010

O que eu sou vs. o que eu poderia ser

“Know thyself?” If I knew myself, I’d run away
(Johann W. von Goethe)

Sempre me perguntei sobre a origem de minhas motivações...Não bastavam as respostas simples, tais como: dinheiro, poder, reconhecimento, admiração, amor ou qualquer outra resposta...Outra pergunta: Como estas motivações permeiam minha relação com o mundo ? E qual a sua relação com uma vida mais feliz, equilibrada e menos autossabotadora?...
Estudando por aí. Tentando entender o bicho homem e, obviamente, a mim mesma, achei algumas coisas interessantes. Essa abordagem psicodinâmica trouxe um sentido mais profundo para minhas reflexões, relações no trabalho, na vida pessoal e com o mundo.

Começo por uma declaração: o que me constituiu simbolicamente desde minha infância é o que sou agora! Quem sou, minhas motivações e dinâmica relacional atual esta totalmente permeada por construções (saudáveis ou não) iniciadas lá atrás, com meus pais, irmãos, tios, avós, professores e amigos. Essas construções criaram meu senso de identidade. O tempo desenvolveu , de uma maneira relativamente estável, as representações de minhas próprias experiências e dos outros. Essas representações são chamadas de objetos internalizados e são compostas por experiências prazerosas e dolorosas, fantasias, idealizações, pensamentos e imagens que constroem meu mapa afetivo-cognitivo do mundo – o meu teatro interno.

Entendi que desde muito pequeno o bicho homem vai construindo esquemas mentais baseados nas relações estabelecidas com seus cuidadores e relações sociais mais longas. O resultado desta interface é então carregado por toda a vida, guiando suas relações subseqüentes. Essas construções são os códigos operacionais que sustentam a personalidade e modulam o comportamento. Como a gasolina que abastece o carro, o padrão cognitivo e emocional que se desenvolve da inter-relação destes sistemas motivacionais, abastece nosso comportamento. Essa única mistura é que vai determinar a personalidade. Essas representações mentais de nós mesmos, dos outros e de relacionamentos, nos ajudam a dar sentido a todos os aspectos da realidade. Servem como guias para interpretar o que vemos, decidir o que queremos e atuarmos.

A importância que esses sistemas motivacionais tem em cada indivíduo é determinada por 3 forças reguladoras: os padrões de respostas inatas e aprendidas, o papel dos cuidadores importantes, e a força exercida para tentar reproduzir estados emocionais positivos da infância. Conforme essas forças e os sistemas interagem durante o crescimento/maturação, esquemas mentais emergem. Esses esquemas mentais criam modelos de cenas simbólicos – o que chamamos de script dentro do teatro interno de cada pessoa – que por sua vez regulam a fantasia e influenciam no comportamento e na ação. Aqui repousa também a base das crenças limitantes - infernais criaturas sombrias...

Sistemas de Necessidades Motivacionais

Importante salientar que alguns desses sistemas são + básicos que outros. O 1º, e mais importante é o sistema que regula as necessidades fisiológicas da pessoa – necessidade de comida, água, excreção, sono e respiração. O 2º modula a necessidade por estímulos prazerosos, e mais tarde pela excitação sexual. O 3º lida com a necessidade de resposta a certas situações com mecanismos de fuga ou ataque. Esses 3 sistemas básicos impactam obviamente em nossas relações no trabalho, na vida, mas outros 2 - mais sofisticados - são importantíssimos para a vida profissional e pessoal – 1.o sistema de afiliação/ligação, e 2. o sistema de exploração/afirmação.

É nossa natureza a necessidade de nos relacionarmos com outras pessoas , em dividir - sistema de afiliação/ligação. Essa necessidade começa na infância e vai por toda a vida - a experiência universal de querer estar próximo dos outros. Envolve também o prazer de dividir e de existir como indivíduo único e especial. Este sistema confirma o valor pessoal e contribui para a sensação de autoestima .

O 2º sistema , de exploração/afirmação, tem por sua vez papel importante para o que a pessoa se torna e como a pessoa se vê. A necessidade de exploração aparece logo após o nascimento. Esta intensamente ligada com a cognição e aprendizado, e afeta a habilidade da pessoa se divertir e trabalhar. Intimamente ligada a necessidade de exploração esta a necessidade de autoafirmação. A necessidade de ser capaz de escolher o que queremos junto com a capacidade de explorar, produz um senso de efetividade e competência, de autonomia, iniciativa, eficácia. O esforço, a competição e a procura pela perícia são características fundamentais da personalidade e expressão deste sistema. Exercendo a assertividade – seguindo nossas preferências, atuando de uma forma determinada – me afirmo como ser.

Cada um desses sistemas é fortalecido ou perde força quando reage com as 3 forças mencionadas anteriormente (padrões de respostas inatas e aprendidas; o papel dos cuidadores importantes e a força para tentar reproduzir estados emocionais positivos da infância) e que determina o nosso teatro interior. Esses sistemas são a força racional que esta por trás dos comportamentos e ações que são muitas vezes percebidos como irracionais. Em outras palavras, a forma de nos relacionarmos e interagirmos com nossos parentes (e outros cuidadores) durante nossa infância afeta a forma de nos relacionarmos hoje como adultos – especialmente com figuras de autoridade.

Temas Centrais de Conflito - CCRT
(ou Core Conflictual Relationship Theme de Luborsky)

Anteriormente falei do desenvolvimento dos objetos internalizados e teatro interno... O teatro interno tem uma influência profunda nos estados afetivo-cognitivo, comportamentos e ações. Objetos internalizados bons, são construtivos e regenerativos: nos mantém em pé quando a vida esta difícil e constituem os pilares para o bom funcionamento mental. Objetos internalizados maus – ou somente a ausência dos bons – são sementes para comportamentos e personalidade disfuncionais.

Como abordei anteriormente, o script básico do teatro interno de cada pessoa é determinado pelos sistemas de necessidades motivacionais iniciados na infância. Mas permeando esse script, certos temas se desenvolvem com o tempo. Temas que se repetem e refletem a predominância de certos desejos internos (expressão dos objetos internalizados), e que determinam a unicidade de estilo de cada personalidade,de cada um – CCRT. Esses temas centrais se traduzem em padrões consistentes na forma de nos relacionarmos com os outros. Nossos desejos básicos colorem nossos script de vida, que por sua vez moldam a forma de nos relacionarmos com os outros, como interpretamos a reação dos outros e nossas reações em função de tudo isso. Nossas vidas podem ser coloridas pelo desejo de sermos amados,por exemplo, ou pelo desejo de sermos entendidos, de sermos notados, de estarmos livres de conflito, de independência ou ajuda, ou mesmo de atrapalhar, prejudicar ou causar mal ao outro.

Quando vamos para o trabalho, a uma reunião social, etc., levamos esses desejos fundamentais conosco. Projetamos esses desejos nos outros e, baseados nesses desejos, correta ou incorretamente, antecipamos reações e respondemos, não ao real mas a o que interpretamos. Quem um dia não conheceu um líder que evitava conflito a todo custo, tinha um comportamento tirânico, microgerenciava, era inacessível, frenético, narcísico ? Ou um tio, namorado, prima ou amiga controladora, vingativa, ciumenta, possessiva, dramática ou mesmo dependente?

Este estilo dominante, qualquer que seja, tem origem no CCRT. Este tema atua de forma tão potente que leva os subordinados (ou as pessoas que interagem com essa pessoa) a atuarem no “jogo”, tornando as expectativas da pessoa , profecias autorealizadoras.

Infelizmente esses scripts de vida desenhados na infância normalmente tornam-se ineficientes nas situações da vida adulta. Criam um ciclo desnorteante de autodestruição e autossabotagem.

Compreendi que minhas motivações (e o porquê delas) estão incrustadas lá atrás na minha infância...O velho ditado está aí: Por trás de uma homem ou mulher você sempre achara uma criança ! Essas motivações estão ligadas ao meu teatro interno e principalmente ao meu CCRT...Cruzes !!!!.

Mas Isso não significa que não posso mudar ! Significa simplesmente que quando chegamos aos 30, uma parte considerável de nossa personalidade estará formada, e que, se eu não reconhecer o quanto o meu presente é determinado pelo meu passado, tenderei a ter motivações autossabotadoras e farei os mesmos erros repetidamente. Se eu quiser que as coisas sejam diferentes preciso começar por ser diferente. Preciso, acima de tudo, de coragem, vontade e persistência para olhar e trabalhar minha sombra.

É trágico que haja tamanha diferença entre o que somos e o que poderíamos ser.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Colocando as coisas em perspectiva

Uma coisa importante a pensar quando falamos de uma vida plena e feliz é a questão das comparações. As comparações podem ampliar ou deprimir a sensação de sermos ou não felizes, e aqui, a inveja mais uma vez tem papel fundamental.
Colocar em perspectiva
Colocar as coisas em sua devida perspectiva, nos lembrarmos que nossa vida afinal não é tão ruim nos ajuda a distanciar de sentimentos pouco construtivos e de inferioridade. Este processo pode ser muito saudável e envolve comparações intrapsíquicas (quando comparamos nosso presente com um momento menos feliz do passado) e interpessoais. Podemos por exemplo, sermos gratos por nosso carro ter quebrado hoje, quando temos recursos para consertá-lo (diferente de 10 anos atrás quando não poderíamos assumir essa despesa). Ou podemos sentirmo-nos gratos por termos alguém para segurar nossa mão numa cirurgia importante (ao contrário daquele nosso colega de trabalho). Em outras palavras, quando estamos “pra baixo”, ao lembrarmos de situações complicadas de nosso passado ou de outras pessoas, conseguimos nos posicionar de forma mais positiva no aqui e agora. Ao lembrarmos em como as coisas poderiam ser em comparação com algo mais grave é uma maneira universal e bastante construtiva para melhorar o moral e iluminar o espírito.
Um dos 7 pecados
É claro que sempre podemos comparar para cima ou para baixo. As coisas não são sempre melhores que o passado. Nem sempre ganhamos mais, temos uma saúde melhor, somos tão jovens, ou melhores ou espertos. O importante, quando procuramos a felicidade, é lembrarmos que a maioria das pessoas que se dizem felizes, comparam-se para baixo. Não importa a situação, conseguem perceber pessoas em situações piores, o que os faz sentirem-se afortunados. Essas pessoas aprenderam a apreciar as coisas que tem em vez de preocuparem-se com o que os outros têm. Estudos comprovam que os infelizes não só comparam-se com quem esta abaixo, mas principalmente com aqueles que estão acima. Esta comparação é a que valorizam. Sentindo-se profundamente injustiçados, passam seus dias procurando confirmações de que a vida não ofereceu grandes oportunidades. Quando principalmente comparam com quem esta acima, focam no fato de que os outros têm uma vida mais privilegiada e cheia de oportunidades. Pessoas fixadas na questão de que foi oferecido a elas menos que aos outros percebem a vitoria alheia como perda pessoal. Não importa o que persigam (com sucesso ou não) – dinheiro, amor ou poder – sempre são capazes de encontrar alguém melhor, e percebem essa pessoa como usurpadora do que seria seu por direito.
Todos nós nos sentimos em desvantagem algumas vezes, particularmente se nos comparamos com pessoas um pouco mais acima na escada do status, aparência ou poder. O desafio esta em trabalharmos nossas emoções. Visando nossa saúde mental é importante não ficarmos presos demais na negatividade, obsessivos com a questão de sentirmo-nos injustiçados. Porque se nos mantivermos assim, a inveja erguerá sua horrível cabeça e tentará nos devorar.
Comparações interpessoais e inveja fazem parte de um só continuum. A primeira avança gradualmente para a outra, trazendo o que há de pior em nós. Sabemos que algumas pessoas se divertem com a miséria de outras. Essas mesmas pessoas adotam a comparação para cima, o que dispara a inveja e a atitude hostil para com o outro. Mas devemos atentar que essa reação não é só dirigida ao outro. Pessoas invejosas têm sérios problemas com sua autoestima. São mais infelizes consigo mesmas do que com as pessoas que ridicularizam. São mestres nos processos de projeção e cisão, e têm grande dificuldade em lidar com partes inaceitáveis de si mesmos.
Duvido, como todos os estudiosos, que exista alguém que não tenha sentido inveja. Como dizem, a inveja é um sentimento universal e gera uma gama de sentimentos dolorosos: frustração, raiva, autopiedade, ganância, despeito e vingatividade. Enquanto atuar contra este sentimento traz um alívio temporário, quaisquer desses sentimentos podem causar angústia. Ninguém expõe ou verbaliza esses sentimentos, a inveja não é para consumo público. Preferimos escondê-la ou travesti-la. Sabemos que ela é um dos 7 pecados. Temos ampla literatura sobre o assunto e inúmeros ditados.
Algumas vezes a inveja é disfarçada (com sucesso) pela indignação moral. Quando as pessoas tem uma obsessão com atitudes desprezíveis dos outros, normalmente estão sendo “tentadas” pelas mesmas atitudes, dizem os estudiosos. Essas pessoas direcionam sua ira para aquilo que mais temem em si mesmas. Muitas vezes essa indignação é dirigida à sexualidade. A homofobia, indignação dirigida aos homossexuais, é uma forma de lidar com dúvidas sobre a própria identidade sexual. Sabemos de muitos pastores, padres, políticos e astros que pregam sobre o pecado, o vício, a avareza, a ganância e são pegos com prostitutas, crianças, álcool/drogas, desvio de dinheiro, etc. A indignação moral muitas vezes é a inveja com uma auréola.
O alemão tem uma palavra muito interessante: schadenfreude – o prazer com a miséria dos outros. Mas se uma pessoa fundamenta sua felicidade no prazer na miséria alheia, o que isso diz da qualidade de vida dessa pessoa? Apesar de a miséria alheia poder trazer algum prazer (ou alívio por não ser você), a verdadeira felicidade não pode coexistir com a inveja, a maldade ou a vingança.
Quando a inveja aprisiona alguém, limita o potencial humano, endurece a capacidade lúdica, gera separações e leva à infelicidade.
Eu hoje faço o exercício contínuo de tentar colocar as coisas em sua devida perspectiva...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Formula de Albert Einstein

Me disseram que Albert Einstein tinha uma fórmula interessante para o sucesso :
A = X + Y + Z onde,
A = sucesso
X = trabalho
Y = Brincar
Z = manter a boca fechada
Hahahahaha – adorei a parte da boca fechada !!!!
Ninguém saberá o que é realmente felicidade se não algum sucesso em sua vida. O sucesso, ser bem sucedido em algo, cria a sensação de competência, a sensação de sermos capazes de lidar de forma criativa às questões que a vida nos apresenta. Note que para uma autoavaliação positiva precisamos alcançar padrões que estabelecemos para nós mesmos ou pelo grupo, ou ambos... Em outras palavras, o sistema está apoiado em comparações objetivas implícitas ou explícitas. A verdadeira felicidade, dizem também, é totalmente dependente da percepção e da habilidade em lidar com a ansiedade e inquietação interior, resultante de questões autoimpostas quando comparamos onde estamos com onde deveríamos estar – a comparação entre nossas aspirações e onde estamos agora. Mas o mais importante, e principalmente, esquecemos de pensar, é que o sucesso precisa ser mensurado não por aquilo que conseguimos, mas pelos obstáculos que tivemos de superar. Precisamos celebrar as pequenas vitórias durante a jornada.
A riqueza, que muitos de nós usamos como medida de sucesso – aquilo que conseguimos com a fortuna, posição, poder e fama – pode ser um valor efêmero. Pensamos que felicidade é composta de ter e consumir. Mas como perseguir o arcoiris se quando chegamos lá, tudo o que vemos é a névoa. E lá vamos nós atrás dele novamente....
Acho interessante a parte de brincar e “manter a boca fechada”...Ter humor, espírito esportivo e um pouco de otimismo + evitarmos de verbalizar questões pouco contributivas, contribuem para o sucesso interior. Essa prudência e humor nos permite adquirir bens preciosos tais como: amizade, amor, bondade, interesse pelo próximo, empatia, gentileza e sabedoria. Descobri em minha própria pele que a perseguição incansável pelo sucesso fora de mim mesma é a lenda de Sisyphus aqui e agora - empurrando interminavelmente a pedra montanha acima. O paradoxo esta em ficarmos satisfeitos da mesma forma com o que temos e com o que não temos.
Estou tentando...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Alguém para Amar

Os chineses costumam dizer que a felicidade consiste de 3 coisas: alguém para amar, algo para fazer, e algo com que sonhar. Freud acreditava a saúde mental era composta por 2 pilares: a habilidade para amar e a habilidade para trabalhar/produzir. Mas, como diz Kets de Vries, Freud era um workaholic e “esqueceu” de notar que brincar também é uma parte essencial da natureza humana. Kets de Vries acredita que alem de amor e trabalho, todos nós temos uma natureza exploratória, motivacional – claramente percebida em crianças pequenas quando experienciam coisas novas. Sabemos que pessoas que se divertem em seu trabalho são realmente afortunadas, certo ?
Alguém para Amar – Um dos pilares para a felicidade
Todos nos precisamos de alguém para amar, alguém próximo e que podemos confiar. E a razão é bem simples: é da natureza humana a necessidade de se conectar com o outro. O comportamento gregário, a necessidade de nos ligarmos com o outro, esta profundamente arraigada em nossos genes. É nossa ancestralidade. Redes sociais são essenciais para o bem- estar de cada um. Muitas formas de stress , distúrbios de ansiedade, raiva e depressão são o resultado de uma separação ou perda indesejada. A parte essencial de ser humano é nossa necessidade de relacionamento com os outros, de fazer parte de algo. Nosso primeiro relacionamento é vivido com nossos pais, depois com outros membros da família, tais como, irmãos, avós, tios e primos. Mais tarde teremos amigos, namorados, maridos e filhos como objetos de nosso amor. Dividir experiências com esse povo todo é parte importante da equação da felicidade. É como um abraço – para mim a melhor parte é dividi-lo com alguém. Dizem os estudiosos que o segredo da felicidade esta na habilidade para encontrar prazer na felicidade alheia. O desejo de fazer outras pessoas felizes. Então, para experimentarmos a felicidade precisamos aprender a nos desprender de nós mesmos, de preocuparmos com o nosso umbigo. Ninguém é uma ilha ! A necessidade de conexão e associação com o outro atua como um equalizador emocional por confirmar o valor e a contribuição individual, consolidando o senso de autoestima. Ter ligações fortes com amigos e pessoas amadas, ser membro de uma comunidade/grupo são aspectos essenciais para a saúde mental e também para a felicidade. Precisamos diferenciar entre solitude e solidão. O solitário extremo indica uma inabilidade de exteriorização, de transcender a esfera pessoal. Sugere um baixo desenvolvimento psicodinâmico. O pior é que a solidão é autoperpetuadora: pessoas incapazes de se aproximarem de outras pessoas tem pouca esperança de conseguirem acabar com seu comportamento de solidão. Estudos comprovam que uma das mais satisfatórias relações são aquelas onde as pessoas envolvidas são realmente íntimas. A quantidade de tempo que casais compartilham entre si – o nível de companheirismo - determina a qualidade do casamento e por conseguinte, da felicidade. Além de servirem como um “buffer” contra o stress do dia-a-dia, as boas memórias construídas durante um bom e longo relacionamento pode atuar como uma contenção à ansiedade e conflito. Esta função também pode ser assumida por amigos ou familiares próximos. Não podemos esquecer que obtemos grande conforto de nossos amigos quando os tempos estão difíceis. Os amigos nos ajudam a atravessar os entraves da vida e são fundamentais para criar pequenos momentos de felicidade. Eles também servem como um banco de memórias suplementar, nos ajudando a lembrar experiências e coisas de nós mesmos, incluindo momentos bacanas que esquecemos. Amigos também afetam nosso bem-estar. Estudos comprovam também que um bom amigo ajuda na imunidade, na longevidade e redução do stress. Infelizmente a amizade não se desenvolve facilmente. Construir uma amizade – e aqui se inclui o relacionamento com um parceiro – requer trabalho duro e determinação. Precisamos nos esforçar para entender e ajudar o outro, oferecendo uma parte de nós mesmos. A amizade é uma “entidade” frágil que precisa de cuidado, investimento e até sacrifício. Manter uma amizade envolve lealdade, carinho, empatia e prontidão para ajudar quando necessário. E somos retribuídos por um ouvido amigo, um coração que entende e uma mão que ajuda. Apesar das amizades poderem ser muitas vezes transitórias, tornam-se cada vez mais importantes à medida que envelhecemos. Infelizmente, e apesar do aumento em importância, a oportunidade para fazermos novos amigos diminui com o passar dos anos. Como resultado, os amigos perdidos não são repostos. E assim os perdemos...Muitas vezes pela distância, outras vezes os interesses diferem, outras pela falta de esforço, pelas separações ou morte. Assim nosso círculo de relações de boas amizades diminui e abrimos a porta para a infelicidade e o empobrecimento relacional. Precisamos ser ativos na questão de desenvolvermos novas amizades. Como a vida não para, precisamos ser proativos na procura por pessoas que nos sintamos compatíveis, demonstrando interesse por elas. Se não nos esforçarmos por estabelecer novas amizades poderemos terminar na velhice sozinhos – uma situação que desequilibra a equação da felicidade.
Vamos nos interessar por novas pessoas! Vamos assegurar reciprocidade em nossas relações, ser empáticos. Ter real interesse pelo outro – recém chegado ou velho conhecido. Assim estaremos assegurando o equilíbrio desta importante equação que é a felicidade por todo o nosso ciclo de vida.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Weltanschauung e Felicidade

“The reason people find it so hard to be happy is that they always see the past better than it was, the present worse that it is, and the future less resolved than it will be – Marcel Pagnol”
“The art of happiness is to neutralize or minimize the internal forces that torture us – unknown”
A forma que nos inserimos no mundo direciona nossa possibilidade de sermos + ou - felizes ?
Parece que existe um componente genético que nos predispõem a nos sentirmos mais ou menos felizes. Até aceito bem a teoria, mas a genética é só uma parte do cenário... As “circunstancias da vida” têm também sua participação.
Penso também que dinheiro não traz felicidade, mas que ajuda, ajuda (como dizem por aí...)! Estudos confirmam também que a felicidade independe do nível de rendimentos da pessoa (para aqueles onde as necessidades básicas já foram garantidas, claro). Sabe-se que o que importa é como o sujeito a percebe, e não seu valor absoluto.
Existe uma pequena relação entre felicidade e status social/nível educacional. Por outro lado, o cargo ocupado e satisfação sentida têm uma relação mais direta. Agora, o desemprego afeta sim esta percepção. Numerosos estudos nos EUA comprovam que o desemprego contribui para uma gama de distúrbios psicológicos - desde apatia, desamparo ou irritabilidade até sintomas somáticos graves de stress.
E o gênero ou idade da pessoa? Estudos indicam também que a idade ou o sexo também não influenciam na felicidade. Os picos e vales entre um estado e outro podem ocorrer de forma diferente, mas o nível médio foi comprovado como igual.
Mas aí entra o componente de cada um de nós. E aí a coisa muda...
Controle interno vs. Controle externo
Existe uma corrente psicológica que diferencia as pessoas por sua forma de “olhar” o mundo (entre outras questões). O interessante é que eles categorizaram as pessoas em duas formas dependendo de como suas ações são orientadas, onde colocam o controle de suas vidas. Podemos ser orientados internamente ou externamente. A pessoa orientada para seu interior, num exemplo extremo, é alguém que pensa que pode fazer qualquer coisa, nada é impossível. Essas pessoas acreditam que estão no controle de suas vidas. Consideram-se senhores de seu destino. Tendem a ser proativas e empreendedoras. No lado oposto, pessoas orientadas para o externo percebem-se como vítimas do ambiente. Tudo que acontece tem relação com a sorte, destino ou os outros. Essas pessoas tendem a desistir antes mesmo de começar. São mais reativas do que proativas. Falta a elas o sentimento de eficácia pessoal, de que podem controlar o ambiente. E assim, seu derrotismo resulta em total passividade – um caminho que não passa pela felicidade com certeza. O controle percebido – ou mesmo a ilusão de estar no controle – normalmente tem um efeito positivo no sentimento de bem-estar e serve como um “buffer” contra o stress. A sensação de perda de controle ou de desamparo – a percepção de que qualquer atitude seria inútil – leva a uma sensação de desesperança e é reconhecidamente vista como uma receita para a depressão. Então, uma forma de conseguirmos a felicidade é sermos proativos. Emulando pessoas com controle interno, precisamos acreditar que fazemos a diferença. Ficar sentado esperando por um milagre não nos levará a lugar algum. Sendo os mestres de nossas próprias vidas podemos nos guiar a uma vida com mais sentido e plenitude. Precisamos dizer a nós mesmos que não somos somente resultado das circunstâncias, somos agentes de mudança.
Otimismo vs. Pessimismo
O elo entre felicidade e temperamento é evidenciado também pelo nosso nível de otimismo. Estudos indicam que o otimismo é um ótimo mecanismo de defesa para a infelicidade. Ter uma atitude positiva frente à vida torna os otimistas, por definição, mais felizes que os pessimistas. A psicologia positiva enfatiza que o otimismo gera frutos: coisas positivas acontecem mais a pessoas que pensam positivo. Os otimistas lidam melhor com o stress, tem saúde melhor, e parece que são mais bem sucedidos. Uma coisa a pensar: foi comprovado que o otimismo é contagioso – uma pessoa com pensamentos positivos ativa pensamentos positivos nos outros. Mas gente, tudo com equilíbrio, certo ? O otimista saudável é aquele que tem a habilidade para identificar o que esta em seu controle e pode influenciar, do que o que não esta.
Extrovertidos vs. Introvertidos
Extroversão tem um grande papel para a felicidade. Extrovertidos tendem a ser mais perceptivos ao ambiente. Como respondem de forma mais afirmativa e segura a emoções positivas do ambiente, parece que tem a tendência de serem mais felizes. Procuram pessoas e estabelecem relações mais positivas. Parece que estes comportamentos explicam bem o motivo de pessoas mais sociáveis no geral, terem uma sensação de maior satisfação na vida.
Alta vs. Baixa Autoestima
Um outro elemento de nossa Weltanschauung é o nosso senso de autoestima. Para que a felicidade nos visite, precisamos ter uma autoavaliação positiva caracterizada por qualidades tais como autoaceitação e respeito próprio. Um dos melhores indicadores de felicidade parece ser o quão confortável estamos conosco mesmos. Pessoas que gostam de si mesmas são mais abertas. Essa abertura oferece a oportunidade de uma troca verdadeira, o que resulta na criação de laços com outras pessoas.
Nos lembrando principalmente das coisas que deram certo em vez das que deram errado na vida, pode construir um “buffer” contra a infelicidade, tornando-nos mais capazes de receber os socos da vidas quando eles vierem.
Então o que precisamos para sermos felizes é: sermos otimistas, termos nossa autoestima estruturada de modo positivo, sermos responsáveis por nossas ações, gostarmos do contato com outras pessoas, fazermos o que gostamos e vermos valor nisso. Fácil ?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Querer, Decidir e Ser

Do mundo da psicologia e observando essa vida eu aprendi que existe muito mais entre “o céu e a terra” do que meus olhos conseguem ver. O cerne da questão humana está freqüentemente invisível. Aprendi que muitas vezes o comportamento racional é absolutamente irracionalmente sustentado. Percebi que as relações entre pessoas em qualquer microcosmo não poderão ser bem entendidas se não levarmos em conta o mundo interno de cada um de nós, com suas irracionalidades, idiossincrasias.
Quando converso com alguém + profundamente e longamente, é interessante perceber que questões existenciais sempre acabam emergindo. O assunto discorre sobre medos, desejos, preocupações financeiras, busca pela felicidade, desapontamentos e até sobre o medo da morte (não nessa ordem necessariamente). Procuramos no outro idéias que ampliem soluções para questões que só podem ser resolvidas por nós mesmos... As respostas estão aí...dentro de nós. Só precisamos nos aquietar, prestar atenção aos sinais e mergulhar com coragem. Coragem para responder perguntas difíceis: do que estou fugindo ? Para onde estou indo ? e mais importante: O que me fez correr ? Precisamos ter a coragem de parar e encontrar nosso verdadeiro eu.
Todos procuramos dar um sentido à vida. Viver plenamente não se trata somente de símbolos de poder, de posição, de conquista. Não é somente dinheiro. O que fazemos de nosso tempo é mais importante do que o que compramos. Status é uma entidade furtiva, popularidade é acidental e a riqueza, inconstante. As coisas materiais não são o mais importante ! O que realmente importa são as relações que estabelecemos, a diferença que fazemos e o sentido que temos no mundo.
Sexo, dinheiro, felicidade e morte são os temas recorrentes de nossas lutas na vida. Querendo ou não, o desejo sempre permeará nossas vidas, e não existe praticamente nenhuma rede de proteção contra a atração. O desejo é um catalisador potente, tornando-nos muitas vezes capazes de realizar coisas que normalmente não faríamos. Assim como dinheiro. O quanto é o suficiente ? Muita gente confunde valor pessoal com o valor em suas contas correntes...Sexo e dinheiro trazem felicidade ? O que é felicidade ? Como ser feliz ?E por fim a morte. Esta senhora que inexoravelmente irá nos visitar e nos levar um dia...Teremos vivido plenamente ? Foi suficiente ? Deixamos nossa marca ? Realizamos nosso propósito ?
Ainda estou querendo decidir em ser...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Qual a sua visão de uma vida plena ? Como seria ?

Vou ser honesta e dizer que muito provavelmente quase nunca pensei sobre isso até alguns anos atrás. Aconteceu quando a vida “apertou” pela enésima vez...Nunca tinha pensado sobre o que é uma vida plena, pelo menos não nestas palavras. Normalmente temos questões mais específicas e urgentes em nossa mente! Mas, se pensarmos bem, existe lá no fundo, bem escondidinho, um desejo de um “sentido maior” em nossas vidas. Eu, pelo menos tinha!
Hoje acredito, que este “sentido maior” é o leme de nossas vidas. Sem ele a vida passa ao sabor das correntes, ondas e ventos, mudando de direção, sem rumo.
Muita coragem e determinação são necessárias para que consigamos identificar o que seria uma vida plena para cada um de nós. O mundo hoje é determinado por soluções rápidas, simples e encaixotadas - confortáveis sim, porem, muitas vezes sem sentido. Pensar o que torna uma vida verdadeiramente plena com certeza abalou meu status quo e criou ondas em meu laguinho antes tão tranqüilo!
Descobri que parte da dificuldade estava em onde foco meu olhar. Eu sempre quis ter uma vida plena. Assim, eu prestava atenção no que eu tinha...ou não tinha...,via o vazio...,e aí procurava mais coisas para preenchê-lo. Poderia ser um trabalho que pagasse melhor, férias na Europa, uma TV LCD, uma bolsa bacanérrima, uma lipo, um creminho carérrimo e milagroso, um carro bacana e descolado... Procurei também em coisas mais subjetivas, tais como: num casamento ou namorado bacana, numa carreira sempre em ascensão, um físico musculoso e sequinho. Infelizmente ter é momentâneo e a satisfação é caprichosa! Aprendi isso com a vida. Enquanto eu procurava formas para ter uma vida + plena, me senti temporariamente preenchida... mas sempre estava com fome.
Precisei, e ainda preciso todo dia, perceber o que preciso para ter uma vida plena agora, e não em um dia no futuro. A plenitude esta disponível todos os dias de minha vida. É um exercício de escolha, e não uma coisa que acontecerá um dia.
Percebi que parte da confusão estava na palavra. Sabemos o que é estar pleno e pensamos que plenitude é um estado que chegaremos - um dia estarei completa, satisfeita... É um paradoxo pois podemos estar completos hoje e plenos novamente amanhã, quem sabe até satisfeitos de uma forma diferente, e mais uma vez no próximo dia e no dia depois deste.
Antes, confundia sentir-me bem com vida plena. As duas condições podem existir juntas, mas não necessariamente. O estado de plenitude traz consigo a sensação de harmonia, pouco esforço, de congruência com as grandes leis do universo. Mas aprendi também que a plenitude pode existir quando a vida está difícil, desafiadora ou desconfortável. Eu estava fazendo algo que me era importante, minha paixão e meu comprometimento. Ali, no meio da escassez, a vida era abundante. Eu finalmente compreendia o que era realmente valioso!
Não significa que não possa desejar ter coisas em minha vida. Tenho o direito de ter uma carreira bem sucedida, mais dinheiro, um relacionamento romântico, e o que mais quiser! Mas o sentido de minha vida não esta mais no ter. Tenho um propósito, uma visão e missão!
Hoje e agora tenho uma vida que vale a pena apesar de não ter tudo o que queria ou precisaria.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Durante estes intensos anos de experiência organizacional me deparei com incontáveis processos de mudança. Acredito que a aceleração dos ciclos tenha tomado impulso nos anos 90. Como minha formação se deu nesta década, diria que o que mais aconteceu em minha vida foram as ditas cujas mudanças (profissionalmente e pessoalmente falando).
Mudanças - de visão, missão e valores, de modelo gerencial ou econômico, de perfil das equipes, de estruturação de áreas, introdução dos famosos ERP’s ou service centers estratégicos ou não...somem-se as ditas fusões, aquisições e seus respectivos “ganhos de sinergia” – quem não passou por isso ?
Mas uma coisa lembro: Não vi ou ouvi nada naquela época sobre como apoiar os inúmeros desconfortos que estes inúmeros processos provocam. Tudo foi feito no modelo “wild, wild west”, manda quem pode e obedece quem tem juízo! Assim também reproduzi na vida pessoal . Minhas mudanças foram a fórceps...
Penso no custo financeiro, e principalmente emocional que todos os envolvidos pagaram (eu paguei)... As organizações (e pessoas) estão aí, claro ! Sobreviveram, mas a que custo, com que “seqüelas”?
Hoje, depois de tantas tentativas (positivas e negativas) e estudo, sabe-se que existe uma dinâmica muito mais complexa. Que mudança é uma questão situacional, física, palpável, visível, real. Porém que ela traz consigo uma questão importantíssima – a TRANSIÇÃO: subjetiva, individual e muitas vezes inconsciente. E aí esta o “pulo do gato”. A mudança terá mais chance de dar certo, sairemos dela mais amadurecidos, mais preparados se acompanharmos/propiciarmos o momentum da transição.
Sabe-se que para começarmos algo novo, temos de dar um fechamento ao velho. Realinhar e resignificar o presente (zona neutra), com o desconforto da incerteza, também é essencial. Somente depois poderemos ter um novo começo.
Achei num livro, e resolvi compartilhar, algumas questões que se soubesse antes, teria facilitado muito o meu trabalho:
1.Dimensione exatamente que comportamentos e atitudes precisam mudar para que os times funcionem bem: Para ser bem sucedido num processo de transição, é necessário determinar precisamente que comportamentos devem ser abandonados e que atitudes são esperadas dos times. Não é suficiente somente dizer que precisamos ser diferentes. As pessoas precisam saber que comportamentos e atitudes devem ser diferentes do que esta sendo feito agora. O que precisam parar de fazer? Seja específico. Até que este novo comportamento seja explicitado, as pessoas navegarão em suposições e não saberão o que fazer.
2.Analise o que se perde com essa mudança: Lembre-se, a transição começa com um fim. Não se consegue dimensionar o novo se não se desliga o velho. É justamente este processo de encerramento que gera maior resistência. A resistência a mudança pode ter a aparência de procrastinação ou sabotagem e deve-se entender os mecanismos que o processo de perda gera para lidar com ela de forma eficiente.
3.Invista na divulgação do problema que gerou a necessidade de mudança: A maioria dos líderes e gestores coloca 10% de sua energia na “venda” do problema e 90% na “venda” da solução do dito cujo. Pessoas não “compram” soluções para problemas que não percebem ou entendem.
4.Coloque o time em contato com a insatisfação. Deixe-os ver o problema diretamente: Faz parte ainda na questão de “venda” do problema. Enquanto você(ou um pequeno grupo) é o único a ver o problema, a questão continuará a não sensibilizar o time. Para engajar o time existe a necessidade deste assumir a propriedade da questão.
5.Converse individualmente - Que “problema” a pessoa esta tendo com a mudança: Quando uma organização esta tendo problemas com a mudança, os gerentes geralmente dizem que sabem exatamente qual é o problema. Mas usualmente eles não sabem. Ou imaginam que todos vêem a situação como eles a vêem, ou pressupõem respostas que podem não ser verdadeiras quando questionam o grupo de uma forma ineficiente – o “Por que isso não esta funcionando ?” coloca a pessoa na defensiva, gerando uma resposta distante da realidade pessoal. As conversas pessoais e perguntas abertas oferecem a oportunidade de sentir o foco de resistência in loco e de apropriação do processo.
6.Fale sobre o que é transição e como afeta as pessoas. Dissemine esse conhecimento por toda a organização: Todos se beneficiam quando entendem o que é transição. Um coordenador lidará melhor com as questões de sua equipe se entender o que é o processo e suas fases. Os times se sentem mais confiantes e com menos medo de errar quando entendem como um processo de transição pode afetar seus sentimentos, comportamentos e dinâmicas grupais.
7.Faça reuniões regularmente: Construa a nova identidade do time, mesmo antes da mudança ocorrer efetivamente, através de reuniões transparentes e regulares. No início, a grande quantidade de reuniões rápidas sobre o processo oferecem a oportunidade de quebrar barreiras , hábitos antigos, imagens pessoais arraigadas e construir uma nova identidade de time. Pense na possibilidade de reuniões muito rápidas todos os dias até que a nova identidade seja construída.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Espíritos de porco !

Como tem gente espírito de porco nessa terra, né ?
Ontem eu estava a pé e peguei aquela chuvona. Tava andando, ou melhor, pulando entre poças, quando um fdp maldosamente passou com seu carro e me deu um banho ! Foi de propósito pode crer...
Pergunto, o que faz um cara ser tão espírito de porco e se divertir com isso ?
Na verdade me pergunto sobre essas pequenas atitudes maldosas que todos nós, uma hora ou outra, deixamos escapar...
A natureza humana é complexa, eu sei. Nossos desejos e impulsos atuam a cada instante, assim como a repressão, censura e outros mecanismos egóicos. Uma hora, algo “escapa”...A psicologia e filosofia estão aí para nos trazer um pouco de luz.
Mas isso não me deixa menos p...Passei o dia inteiro úmida e suja em função desta besta!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A parte que me cabe....

Penso que infelizmente existem poucos ambientes organizacionais que convidem, abram as portas e abracem as pessoas em sua integralidade. Apesar do crescimento de sua importância, ainda empregamos as pessoas baseados nas abordagens de ontem. Conformidade com o “status quo”, eficiência e produtividade abasteceram a economia produtiva durante quase todo século 20... e ainda procuramos pessoas baseados nestes princípios. O século 20 esta em nossos retrovisores, mas as regras estão mudando rapidamente. Hoje, frente a um mundo extremamente globalizado, comunicação on-line, twitter, facebook, celulares 3G, ciclos de vida de produtos/empresas/profissões/pessoais cada vez menores, estar em conformidade muitas vezes pode também ser uma grande barreira para o que é realmente necessário ao sucesso (nosso, dos outros ou das organizações)
Esta é uma mudança significativa e nós simplesmente ainda não fizemos a transição apropriada no nosso modo de liderar, na real natureza das organizações, de modo a sobreviver e sermos bem sucedidos neste novo terreno. Precisamos agora de novos arquétipos e nova linguagem para realizarmos o trabalho e construirmos relações e organizações de sucesso. Precisamos agora desaprender muitas coisas...ou aprender a aprender continuamente? Precisamos parar de contribuir para a criação de problemas e começar a construir uma nova abordagem do “espaço social de trabalho” em que possamos viver e produzir plenamente. Vemos por aí ainda um esforço tremendo para impedir que as pessoas sejam, e tenham, uma conexão verdadeira com seu trabalho, vemos ainda grandes esforços para manter o “status quo”. Isso precisa mudar !
Existe outro problema: Quando admitimos alguém em nossos quadros, esquecemos que admitimos pessoas inteiras (com competências e habilidades técnicas, com pontos fortes e, acima de tudo, com luz e sombra), mas a tendência é tentarmos enquadrá-las nos “conformes”. Quando candidatos recebem a informação de que “pessoas são nosso grande negócio”, que “criatividade e honestidade são nossos valores”, e que “valorizamos a contribuição única e especial de cada indivíduo”, acreditam ingenuamente que poderão ser em sua plenitude ? Talvez...Porém, uma vez dentro das organizações são bombardeadas por mensagens explícitas e implícitas de necessidade de adequação, de não causar turbulências e “jogar o jogo”. Onde esta a coerência ? A questão que deve ser abordada para termos pessoas e organizações realmente alinhadas e integralmente comprometidas, é a necessidade de entendermos previamente o que é a realidade organizacional - A combinação cultura vs. Indivíduo tem de ser definida, assim como a necessidade de mudança vs. motivações para manter “status quo” ou a psicodinâmica da organização e de seus líderes.
Acredito que os negócios hoje são tão complexos, tão rápidos e tão custosos que devemos admitir e conhecer as peculiaridades de cada organização; que as pessoas que a compõem também trazem suas próprias idiossincrasias; que as aquisições de nova mão-de-obra/talentos tem de ser feitas cuidadosamente, com acompanhamento e com tempo de maturação pós admissão. Só assim poderíamos começar a falar em estarmos inteiros.
Sempre haverá a necessidade de adequação (ou conformidade) quando participarmos de alguma comunidade ou organização. Existem certos acordos não verbais estabelecidos e aceitos quando somos admitidos num grupo social, que seja uma empresa, uma organização, um clube ou uma igreja. Porém precisamos tentar perceber, entender e nos posicionar no que esta implícito e não verbalizado. Existem diversas questões que influenciam e moldam a cultura de um grupo, incluindo aí nossas próprias atitudes e relações.

Aí é que esta uma oportunidade poderosa para assumirmos nossa responsabilidade !

domingo, 18 de abril de 2010

Teatro interno, inteligência emocional e Liderança

Organizações são muito parecidas com carros. Carros não saem por aí sozinhos... A não ser ladeira abaixo !

Pois é, penso que a eficácia dos colaboradores de uma empresa – particularmente a dos indivíduos na liderança – determina o desempenho da “máquina” organizacional. Se a dimensão de liderança não estiver apropriadamente em exercício, as organizações simplesmente não conseguem ser bem sucedidas.
Com o tempo e a experiência compreendi que se eu quiser entender o que é liderança tinha que me aprofundar mais, tinha que ir mais fundo do que o que é observado, do que é o óbvio. Tinha que prestar atenção na dinâmica interna e social que se apresenta a todo momento quando pessoas interagem. Tinha que observar o “playground” entre líderes e subordinados, aos processos psicodinâmicos inconscientes e invisíveis, e que influenciam o comportamento dos indivíduos, das duplas, triângulos e grupos. Compreendi que tinha que escolher a abordagem tridimensional para entender a vida organizacional. Uma perspectiva que sonda por baixo da superfície e das aparências. Observar os ocultos, as expectativas e motivações e medos inconscientes(meus e dos outros).
Participei de diversas implantações, diversas novas missões, novas estratégias e me perguntava do porque as coisas se perdiam no decorrer dos meses. Até que li, aprendi e vivenciei que planos bem elaborados e bem intencionados vão por água abaixo no dia-a-dia das organizações porque há forças inconscientes que afetam o comportamento humano. O caldeirão em ebulição da diversidade das necessidades motivacionais inconscientes que compõe a mente humana busca sempre um canal de expressão – mesmo que signifique a sabotagem de uma apresentação, de uma promoção ou um plano de longo prazo para a globalização e sucesso de um negócio.
Recuperando minha formação e minhas incansáveis leituras aprendi que cada um de nós tem uma mistura de necessidades motivacionais únicas e muito especiais que determinam nosso caráter e criam nossa vida mental.

O triângulo dinâmico - Cognição/pensamento; afeto/sentimento; comportamento´- é que modula quem somos. Nenhum aspecto deste triângulo pode ser abordado separadamente. A configuração e sua dinâmica é que importa. A cognição ( a parte da mente que se relaciona com o pensamento, raciocínio e intelecto) é essencial, mas o afeto ligado a ela também o é - os diversos “sabores” emocionais são o que nos tornam únicos, são nosso toque de humanidade. A cognição e o afeto ligado a ela determinam que comportamento teremos e as ações tomadas.
Considerando a importância do teatro interno em cada um de nós - composto por nossos pensamentos, afetos e comportamentos - a inteligência emocional tem papel vital na equação de liderança. Estudos comprovam que pessoas inteligentes emocionalmente são melhores líderes.
Tornar-se mais emocionalmente inteligente, acredito eu, é uma tarefa/jornada experiencial infelizmente. Podemos ler sobre o assunto, tornando-nos mais conscientes do que é, mas a transformação só acontece via aprendizado - via amigos, chefes parceiros, esposas/maridos, sessões de coaching, terapia ou outro profissional - que nos ajudam a perceber nossos pontos cegos e entender como interagimos com os outros.
Então como nos tornarmos líderes de verdade ? Do que é composto o carisma e a liderança transformacional ? Que competências, práticas e responsabilidades compõe um líder eficaz ?
O estilo de liderança de cada um – uma síntese dos vários papéis que ela escolhe adotar - é um complexo relacionamento entre o teatro interno de cada um e expresso em temas centrais (que é influenciado por traços e comportamentos), as competências que a pessoa desenvolve durante sua vida e o contexto em que a pessoa opera.
Mas, como diz Kets de Vries , para entendermos do teatro interno temos de entender que:
1. O que você vê não é necessariamente a realidade
2. A irracionalidade esta baseada na realidade
3. As pessoas são o produto do seu passado
A questão da boa liderança, o conhecimento da existência do teatro interno em cada um de nós e sua conexão com inteligência emocional faz-se necessária.
Só pra lembrar - Os 3 princípios primários da inteligência emocional são:
1.Conhecer suas emoções
2.Aprender a gerenciar estas emoções
3.Aprender a reconhecer e lidar com as emoções dos outros
Tem mais - Necessitamos desenvolver também:
a.Escuta ativa
b.Captar a comunicação não verbal
c.Entender e saber lidar com os diversos aspectos das emoções/sentimentos

Já pensou ?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pedras no meio do caminho

Não sei se vcs viram, mas um dia desses passou na Oprah a Byron Katie.(Um aparte: consultor independente é assim mesmo, fica sem fazer nada de vez em quando...rrrssss).
Essa simpática senhora desenvolveu um trabalho muito interessante sobre um processo que ela batizou como “The Work” ou “O Trabalho”. Como sou metida a besta, vou continuar a chamar “The Work” como “The Work”, ok ? A tradução não me soa bem! Enfim, são 4 perguntas que você faz para “limpar” questões que estão te incomodando (no significado geral ou específico; do mais ínfimo ao que deixa seu “coração peludo” - no mau sentido). É uma técnica bastante zen, se vc pensar mais seriamente. Não é a solução para todos os nossos problemas, mas faz com que vc se desprenda das coisas e veja a vida da forma que ela realmente é: simples, às vezes crua. Dá a oportunidade portanto, de resignificar as coisas com um pouco menos de interpretações subjetivas, com um pouco menos de nossos conteúdos internos.
Sou formada em Psicologia, mas os anos de intenso trabalho organizacional me tornaram uma pessoa bastante pragmática. Este pragmatismo todo fez com que eu optasse, como segunda carreira, por ser Coach – ou seja, apoiar as pessoas em seus projetos de mudança, a ajudar conquistarem seus objetivos de uma forma mais estruturada/objetiva. Uma abordagem, diria eu, complementar ao trabalho terapêutico tradicional.
Mas voltando: A técnica oferece mais uma forma de, mais uma abordagem para, arrancarmos o “véu” e nos liberar das intensas interpretações de nossa mente. A Katie (e eu também) acredita que sofrer é opcional. Sempre que enfrentamos um sentimento estressante – qualquer coisa, desde um leve desconforto até a tristeza, raiva ou desespero profundo – devemos entender que ali existe um pensamento específico causando uma reação, consciente ou inconscientemente. A forma de controlar nosso stress é investigar o pensamento que está por trás.
“The Work” é simplesmente questionar-se. 4 questões muito específicas que nos levam a respostas. Não é nada sem as respostas.
O que eu achei bacana neste processo é que ele simplesmente nos permite um mergulho à procura de nossa felicidade, de experienciar o que já existe dentro de nós, imutável, sempre presente, sempre esperando. Não é necessário um professor. Somos os professores que sempre estivemos aguardando. Somos quem pode encerrar nossos próprios sofrimentos.
Interessante notar, assim como no zen, que tudo começa quando nosso pensamento briga com a realidade. O momento que começamos a sofrer é quando acreditamos num pensamento que antagoniza a realidade, ou, o que é. Quando a mente esta tranqüila, a realidade, o que é, é o que queremos. Querer que a realidade fosse diferente do que é, é irrelevante. Não muda nada. Pode parecer depressivo, mas pense que todo o stress que sentimos é causado pela discussão, por não aceitarmos o que é.
Outra coisa interessante na contextualização do processo é perceber que muito do que sofremos está ligado a estarmos mentalmente vivendo assuntos que não nos dizem respeito. A autora nos lembra que existem somente 3 tipos de assuntos: o meu, o seu e o de Deus (significando a Realidade). Se eu estou mentalmente ligada aos assuntos seus ou aos de “Deus”, estou separada dos meus. Se você vive sua vida e eu mentalmente estou vivendo a sua vida, quem esta aqui vivendo a minha ? Estar em sua vida me mantém longe da minha. Estou separada de mim mesma e pensando por que a minha vida não “funciona”. Se eu entender suficientemente bem que existem 3 tipos de assunto (os meus, os seus e os de “Deus”), e permanecer no que me diz respeito, estarei me libertando para viver a minha vida de uma forma inimaginável.
Mais uma questão zen - Um pensamento não é danoso até que acreditemos nele. Não são os pensamentos, mas a ligação com eles que nos fazem sofrer. As famosas crenças! Estar ligado a um pensamento significa acreditar que ele é verdadeiro sem questionamentos. Uma crença é um pensamento sem investigação que está “grudado” em mim, por vezes, durante toda a vida. Pense no vento. O vento não age de forma pessoal, ele simplesmente existe. Assim é o pensamento. Ele aparece naturalmente, e pela argüição podemos ser seus amigos. Devemos encontrá-lo com compreensão.
Estar em contato com nossa história é estar em contato com nossos pensamentos, ou seqüências de pensamentos. Uma história pode ser sobre o presente, sobre o passado ou futuro. Pode ser sobre como as coisas deveriam ser, são ou poderiam ser. Histórias aparecem em nossa mente centenas de vezes num dia e normalmente são teorias não investigadas , dando um significado às coisas. Nós nem ao menos percebemos que são na verdade teorias não testadas, pensamentos, crenças.
Mais do que entender a causa original de nosso sofrimento – um pensamento – tentamos encerrar o desconforto olhando para fora. Tentamos mudar alguém, buscamos sexo, comida, álcool, drogas, dinheiro ou poder. Alcançamos com isso uma alternativa temporária de conforto ou a ilusão de controle. Mas importante lembrar que este sofrimento é na realidade um alarme que diz: “você foi pego no sonho!”. Depressão, dor ou medo são “presentinhos” que dizem: “querida ! Dá uma olhada no que você está pensando agora. Você esta vivendo uma história que não é verdadeira!”. Pegos na armadilha, tentamos alterar e manipular estes sentimentos culpando o mundo externo. Mas note que o sentimento vem antes do pensamento ! Esta é a razão dele ser um alarme que permite saber que existe uma crença a ser trabalhada. Depois que entendemos , pelo questionamento que existe uma crença limitante que nos causa sofrimento é mais fácil nos afastarmos da dor.
Quais são as 4 perguntas afinal ?
1. Isto é verdade ? (se a resposta for “Não” vá para a questão 3)
2. Você pode saber, com absoluta certeza, que isso é verdade ?
3. Como você reage, como você se sente, o que acontece quando você acredita neste pensamento/crença ?
4. Quem você seria sem este pensamento/crença ?
e
Inverta este pensamento !
Você pode encontrar outras inversões ?
Dê exemplos genuínos para cada inversão

Well gente, eu me aventurei e, com respostas honestas e desejando verdadeiramente entender o que está encoberto pelos meus pensamentos estressantes/crenças limitantes, consegui progredir mais um pouquinho nessa jornada que é a vida ! Mas que é duro é....
Pense nisso !

(mais informações: http://www.thework.com/index.asp ou o livro “ Ame a Realidade” da Byron Katie)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Metade da Jornada

Faço parte de um network onde esta semana surgiu uma discussão acalorada. Um de nossos colegas passou a vaga de abaixo:

Empresa de seleção de jovens executivos, busca identificar profissional para a vaga de Comunicação para uma multinacional americana com posição de destaque em diversos setores.

Posição baseada em São Paulo com reporte para Diretor LA. Profissional será responsável por guiar o time de comunicação e estabelecer estratégia regional de comunicação, produtos e serviços e programas relacionados na América Latina.

Experiência desejável:
* 7 a 10 anos de experiência em atividades que englobem marketing corporativo, comunicação institucional, arquitetura de marca, branding, publicidade e relações públicas.
* Vivência no gerenciamento de agência de propaganda, orçamento de comunicação, reporte de métricas e resultados de ações.
* Liderança de equipe, alinhamento de estratégia de marca e comunicação.
* Atuação nos setores químico, óleo&gás, energia, construção, cuidados pessoais.
* Fluência no Inglês e altamente desejável no Espanhol.
* Pós graduação, MBA preferido

Este profissional será responsável por:
* Criar e alinhar estratégia de produto, serviços e marca
* Estratégia e plano de comunicação com foco em brand equity
* Definição do mix, alocação de recursos, gerenciamento de agência, PR, media
* 25-40% viagens domésticas e pela América Latina

Perfil:
Maturidade
Liderança
Iniciativa
Hands-on
Criatividade
Relacionamento interpessoal excepcional e habilidade de criar relações
Experiência internacional / com diversas culturas
Habilidade de comunicação, objetividade e clareza
Visão estratégica de negócio, do detalhe ao todo
Habilidade de identificar talentos

Outra colega deste mesmo network candidatou-se. Em função do perfil absolutamente compatível, foi imediatamente contatada. A entrevista ia muito bem, até que a recrutadora perguntou a idade da candidata. Resposta: “42 anos”. E aí , minha gente, encerrou-se a oportunidade. Ela estava fora do perfil em função de sua idade.

A discussão acalorada abordou várias questões, tais como: idade como limite de competência, de energia, de adaptabilidade/resiliência, desatualização, conhecer com certa profundidade 6 setores econômicos vs. anos de exposição, visão estratégica, habilidade em identificar talentos, etc., etc., etc. Mercado com excesso de mão-de-obra...Enfim, superperfil para superpessoa. Claro que existem empresas que não limitam a competência pela idade. Mas percebo que percentualmente são minoria.
Tem algo errado, gente !

Com a expectativa de vida crescendo da forma que está, como uma pessoa, atualmente na faixa dos 40, vai passar os próximos 30 a 40 anos ?

Ela está na metade da jornada...

Pense nisso...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Transitions I (do livro do William Bridges)

The pace of change has speeded up greatly. But it is not just the pace of change that leaves us disorientated. To feel as though everything is "up in the air", as one so often does during times of personal transition, is endurable if it means something - if it is part of a movement toward a desired end. But if it is not related to some larger and beneficial pattern, it simply becomes distressing.
Moreover, the experience of being in transition is itself changing. Being in between marriages or careers takes a particularly painful quality when those things are changing profoundly. It is as if we launched out from a riverside dock to cross to a landing on the opposite shore – only to discover in midstream that the landing was no longer there. (And when we looked back at the other shore, we saw that the dock we had left from has broken loose and were heading downstream.) Stuck in transition between situations, relationships, and identities that are also in transition, many of us are caught in a semipermanent condition of transitionality.
Transition is a three phase process composed of (1) an ending, followed by (2) a period of confusion and distress - the neutral zone, and (3) a new beginning, for those who had come that far. It is seen as the natural process of disorientation and reorientation making the turning points in the path of growth.
Throughout nature, growth involves periodic accelerations and transformations: Things go slowly for a time and nothing seems to happen – until suddenly the eggshell cracks. With us is the same. Although the signs are less clear, the functions of transition times are the same. They are key times in the natural times process of development and self renewal. Without understanding of such natural times of transition, we are left impossibly hoping that change will bypass us and let us go on with our lives as before.
Letting go of an old situation, of suffering the confusing nowhere of in-betweenness, and of launching forth again in a new situation is difficult. Those who had chosen to make the changes that had put them into transition tend to minimize the importance of endings. Those who had gone into transition unwillingly or unwittingly found it very hard to admit that new beginnings and a new phase of their lives might be at hand. They all agree that the in-between place was strange and confusing.
Our old life has gone…So why is it so difficult to talk about ?