terça-feira, 6 de julho de 2010

Alguém para Amar

Os chineses costumam dizer que a felicidade consiste de 3 coisas: alguém para amar, algo para fazer, e algo com que sonhar. Freud acreditava a saúde mental era composta por 2 pilares: a habilidade para amar e a habilidade para trabalhar/produzir. Mas, como diz Kets de Vries, Freud era um workaholic e “esqueceu” de notar que brincar também é uma parte essencial da natureza humana. Kets de Vries acredita que alem de amor e trabalho, todos nós temos uma natureza exploratória, motivacional – claramente percebida em crianças pequenas quando experienciam coisas novas. Sabemos que pessoas que se divertem em seu trabalho são realmente afortunadas, certo ?
Alguém para Amar – Um dos pilares para a felicidade
Todos nos precisamos de alguém para amar, alguém próximo e que podemos confiar. E a razão é bem simples: é da natureza humana a necessidade de se conectar com o outro. O comportamento gregário, a necessidade de nos ligarmos com o outro, esta profundamente arraigada em nossos genes. É nossa ancestralidade. Redes sociais são essenciais para o bem- estar de cada um. Muitas formas de stress , distúrbios de ansiedade, raiva e depressão são o resultado de uma separação ou perda indesejada. A parte essencial de ser humano é nossa necessidade de relacionamento com os outros, de fazer parte de algo. Nosso primeiro relacionamento é vivido com nossos pais, depois com outros membros da família, tais como, irmãos, avós, tios e primos. Mais tarde teremos amigos, namorados, maridos e filhos como objetos de nosso amor. Dividir experiências com esse povo todo é parte importante da equação da felicidade. É como um abraço – para mim a melhor parte é dividi-lo com alguém. Dizem os estudiosos que o segredo da felicidade esta na habilidade para encontrar prazer na felicidade alheia. O desejo de fazer outras pessoas felizes. Então, para experimentarmos a felicidade precisamos aprender a nos desprender de nós mesmos, de preocuparmos com o nosso umbigo. Ninguém é uma ilha ! A necessidade de conexão e associação com o outro atua como um equalizador emocional por confirmar o valor e a contribuição individual, consolidando o senso de autoestima. Ter ligações fortes com amigos e pessoas amadas, ser membro de uma comunidade/grupo são aspectos essenciais para a saúde mental e também para a felicidade. Precisamos diferenciar entre solitude e solidão. O solitário extremo indica uma inabilidade de exteriorização, de transcender a esfera pessoal. Sugere um baixo desenvolvimento psicodinâmico. O pior é que a solidão é autoperpetuadora: pessoas incapazes de se aproximarem de outras pessoas tem pouca esperança de conseguirem acabar com seu comportamento de solidão. Estudos comprovam que uma das mais satisfatórias relações são aquelas onde as pessoas envolvidas são realmente íntimas. A quantidade de tempo que casais compartilham entre si – o nível de companheirismo - determina a qualidade do casamento e por conseguinte, da felicidade. Além de servirem como um “buffer” contra o stress do dia-a-dia, as boas memórias construídas durante um bom e longo relacionamento pode atuar como uma contenção à ansiedade e conflito. Esta função também pode ser assumida por amigos ou familiares próximos. Não podemos esquecer que obtemos grande conforto de nossos amigos quando os tempos estão difíceis. Os amigos nos ajudam a atravessar os entraves da vida e são fundamentais para criar pequenos momentos de felicidade. Eles também servem como um banco de memórias suplementar, nos ajudando a lembrar experiências e coisas de nós mesmos, incluindo momentos bacanas que esquecemos. Amigos também afetam nosso bem-estar. Estudos comprovam também que um bom amigo ajuda na imunidade, na longevidade e redução do stress. Infelizmente a amizade não se desenvolve facilmente. Construir uma amizade – e aqui se inclui o relacionamento com um parceiro – requer trabalho duro e determinação. Precisamos nos esforçar para entender e ajudar o outro, oferecendo uma parte de nós mesmos. A amizade é uma “entidade” frágil que precisa de cuidado, investimento e até sacrifício. Manter uma amizade envolve lealdade, carinho, empatia e prontidão para ajudar quando necessário. E somos retribuídos por um ouvido amigo, um coração que entende e uma mão que ajuda. Apesar das amizades poderem ser muitas vezes transitórias, tornam-se cada vez mais importantes à medida que envelhecemos. Infelizmente, e apesar do aumento em importância, a oportunidade para fazermos novos amigos diminui com o passar dos anos. Como resultado, os amigos perdidos não são repostos. E assim os perdemos...Muitas vezes pela distância, outras vezes os interesses diferem, outras pela falta de esforço, pelas separações ou morte. Assim nosso círculo de relações de boas amizades diminui e abrimos a porta para a infelicidade e o empobrecimento relacional. Precisamos ser ativos na questão de desenvolvermos novas amizades. Como a vida não para, precisamos ser proativos na procura por pessoas que nos sintamos compatíveis, demonstrando interesse por elas. Se não nos esforçarmos por estabelecer novas amizades poderemos terminar na velhice sozinhos – uma situação que desequilibra a equação da felicidade.
Vamos nos interessar por novas pessoas! Vamos assegurar reciprocidade em nossas relações, ser empáticos. Ter real interesse pelo outro – recém chegado ou velho conhecido. Assim estaremos assegurando o equilíbrio desta importante equação que é a felicidade por todo o nosso ciclo de vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário