segunda-feira, 26 de abril de 2010

A parte que me cabe....

Penso que infelizmente existem poucos ambientes organizacionais que convidem, abram as portas e abracem as pessoas em sua integralidade. Apesar do crescimento de sua importância, ainda empregamos as pessoas baseados nas abordagens de ontem. Conformidade com o “status quo”, eficiência e produtividade abasteceram a economia produtiva durante quase todo século 20... e ainda procuramos pessoas baseados nestes princípios. O século 20 esta em nossos retrovisores, mas as regras estão mudando rapidamente. Hoje, frente a um mundo extremamente globalizado, comunicação on-line, twitter, facebook, celulares 3G, ciclos de vida de produtos/empresas/profissões/pessoais cada vez menores, estar em conformidade muitas vezes pode também ser uma grande barreira para o que é realmente necessário ao sucesso (nosso, dos outros ou das organizações)
Esta é uma mudança significativa e nós simplesmente ainda não fizemos a transição apropriada no nosso modo de liderar, na real natureza das organizações, de modo a sobreviver e sermos bem sucedidos neste novo terreno. Precisamos agora de novos arquétipos e nova linguagem para realizarmos o trabalho e construirmos relações e organizações de sucesso. Precisamos agora desaprender muitas coisas...ou aprender a aprender continuamente? Precisamos parar de contribuir para a criação de problemas e começar a construir uma nova abordagem do “espaço social de trabalho” em que possamos viver e produzir plenamente. Vemos por aí ainda um esforço tremendo para impedir que as pessoas sejam, e tenham, uma conexão verdadeira com seu trabalho, vemos ainda grandes esforços para manter o “status quo”. Isso precisa mudar !
Existe outro problema: Quando admitimos alguém em nossos quadros, esquecemos que admitimos pessoas inteiras (com competências e habilidades técnicas, com pontos fortes e, acima de tudo, com luz e sombra), mas a tendência é tentarmos enquadrá-las nos “conformes”. Quando candidatos recebem a informação de que “pessoas são nosso grande negócio”, que “criatividade e honestidade são nossos valores”, e que “valorizamos a contribuição única e especial de cada indivíduo”, acreditam ingenuamente que poderão ser em sua plenitude ? Talvez...Porém, uma vez dentro das organizações são bombardeadas por mensagens explícitas e implícitas de necessidade de adequação, de não causar turbulências e “jogar o jogo”. Onde esta a coerência ? A questão que deve ser abordada para termos pessoas e organizações realmente alinhadas e integralmente comprometidas, é a necessidade de entendermos previamente o que é a realidade organizacional - A combinação cultura vs. Indivíduo tem de ser definida, assim como a necessidade de mudança vs. motivações para manter “status quo” ou a psicodinâmica da organização e de seus líderes.
Acredito que os negócios hoje são tão complexos, tão rápidos e tão custosos que devemos admitir e conhecer as peculiaridades de cada organização; que as pessoas que a compõem também trazem suas próprias idiossincrasias; que as aquisições de nova mão-de-obra/talentos tem de ser feitas cuidadosamente, com acompanhamento e com tempo de maturação pós admissão. Só assim poderíamos começar a falar em estarmos inteiros.
Sempre haverá a necessidade de adequação (ou conformidade) quando participarmos de alguma comunidade ou organização. Existem certos acordos não verbais estabelecidos e aceitos quando somos admitidos num grupo social, que seja uma empresa, uma organização, um clube ou uma igreja. Porém precisamos tentar perceber, entender e nos posicionar no que esta implícito e não verbalizado. Existem diversas questões que influenciam e moldam a cultura de um grupo, incluindo aí nossas próprias atitudes e relações.

Aí é que esta uma oportunidade poderosa para assumirmos nossa responsabilidade !

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