Não sei se vcs viram, mas um dia desses passou na Oprah a Byron Katie.(Um aparte: consultor independente é assim mesmo, fica sem fazer nada de vez em quando...rrrssss).
Essa simpática senhora desenvolveu um trabalho muito interessante sobre um processo que ela batizou como “The Work” ou “O Trabalho”. Como sou metida a besta, vou continuar a chamar “The Work” como “The Work”, ok ? A tradução não me soa bem! Enfim, são 4 perguntas que você faz para “limpar” questões que estão te incomodando (no significado geral ou específico; do mais ínfimo ao que deixa seu “coração peludo” - no mau sentido). É uma técnica bastante zen, se vc pensar mais seriamente. Não é a solução para todos os nossos problemas, mas faz com que vc se desprenda das coisas e veja a vida da forma que ela realmente é: simples, às vezes crua. Dá a oportunidade portanto, de resignificar as coisas com um pouco menos de interpretações subjetivas, com um pouco menos de nossos conteúdos internos.
Sou formada em Psicologia, mas os anos de intenso trabalho organizacional me tornaram uma pessoa bastante pragmática. Este pragmatismo todo fez com que eu optasse, como segunda carreira, por ser Coach – ou seja, apoiar as pessoas em seus projetos de mudança, a ajudar conquistarem seus objetivos de uma forma mais estruturada/objetiva. Uma abordagem, diria eu, complementar ao trabalho terapêutico tradicional.
Mas voltando: A técnica oferece mais uma forma de, mais uma abordagem para, arrancarmos o “véu” e nos liberar das intensas interpretações de nossa mente. A Katie (e eu também) acredita que sofrer é opcional. Sempre que enfrentamos um sentimento estressante – qualquer coisa, desde um leve desconforto até a tristeza, raiva ou desespero profundo – devemos entender que ali existe um pensamento específico causando uma reação, consciente ou inconscientemente. A forma de controlar nosso stress é investigar o pensamento que está por trás.
“The Work” é simplesmente questionar-se. 4 questões muito específicas que nos levam a respostas. Não é nada sem as respostas.
O que eu achei bacana neste processo é que ele simplesmente nos permite um mergulho à procura de nossa felicidade, de experienciar o que já existe dentro de nós, imutável, sempre presente, sempre esperando. Não é necessário um professor. Somos os professores que sempre estivemos aguardando. Somos quem pode encerrar nossos próprios sofrimentos.
Interessante notar, assim como no zen, que tudo começa quando nosso pensamento briga com a realidade. O momento que começamos a sofrer é quando acreditamos num pensamento que antagoniza a realidade, ou, o que é. Quando a mente esta tranqüila, a realidade, o que é, é o que queremos. Querer que a realidade fosse diferente do que é, é irrelevante. Não muda nada. Pode parecer depressivo, mas pense que todo o stress que sentimos é causado pela discussão, por não aceitarmos o que é.
Outra coisa interessante na contextualização do processo é perceber que muito do que sofremos está ligado a estarmos mentalmente vivendo assuntos que não nos dizem respeito. A autora nos lembra que existem somente 3 tipos de assuntos: o meu, o seu e o de Deus (significando a Realidade). Se eu estou mentalmente ligada aos assuntos seus ou aos de “Deus”, estou separada dos meus. Se você vive sua vida e eu mentalmente estou vivendo a sua vida, quem esta aqui vivendo a minha ? Estar em sua vida me mantém longe da minha. Estou separada de mim mesma e pensando por que a minha vida não “funciona”. Se eu entender suficientemente bem que existem 3 tipos de assunto (os meus, os seus e os de “Deus”), e permanecer no que me diz respeito, estarei me libertando para viver a minha vida de uma forma inimaginável.
Mais uma questão zen - Um pensamento não é danoso até que acreditemos nele. Não são os pensamentos, mas a ligação com eles que nos fazem sofrer. As famosas crenças! Estar ligado a um pensamento significa acreditar que ele é verdadeiro sem questionamentos. Uma crença é um pensamento sem investigação que está “grudado” em mim, por vezes, durante toda a vida. Pense no vento. O vento não age de forma pessoal, ele simplesmente existe. Assim é o pensamento. Ele aparece naturalmente, e pela argüição podemos ser seus amigos. Devemos encontrá-lo com compreensão.
Estar em contato com nossa história é estar em contato com nossos pensamentos, ou seqüências de pensamentos. Uma história pode ser sobre o presente, sobre o passado ou futuro. Pode ser sobre como as coisas deveriam ser, são ou poderiam ser. Histórias aparecem em nossa mente centenas de vezes num dia e normalmente são teorias não investigadas , dando um significado às coisas. Nós nem ao menos percebemos que são na verdade teorias não testadas, pensamentos, crenças.
Mais do que entender a causa original de nosso sofrimento – um pensamento – tentamos encerrar o desconforto olhando para fora. Tentamos mudar alguém, buscamos sexo, comida, álcool, drogas, dinheiro ou poder. Alcançamos com isso uma alternativa temporária de conforto ou a ilusão de controle. Mas importante lembrar que este sofrimento é na realidade um alarme que diz: “você foi pego no sonho!”. Depressão, dor ou medo são “presentinhos” que dizem: “querida ! Dá uma olhada no que você está pensando agora. Você esta vivendo uma história que não é verdadeira!”. Pegos na armadilha, tentamos alterar e manipular estes sentimentos culpando o mundo externo. Mas note que o sentimento vem antes do pensamento ! Esta é a razão dele ser um alarme que permite saber que existe uma crença a ser trabalhada. Depois que entendemos , pelo questionamento que existe uma crença limitante que nos causa sofrimento é mais fácil nos afastarmos da dor.
Quais são as 4 perguntas afinal ?
1. Isto é verdade ? (se a resposta for “Não” vá para a questão 3)
2. Você pode saber, com absoluta certeza, que isso é verdade ?
3. Como você reage, como você se sente, o que acontece quando você acredita neste pensamento/crença ?
4. Quem você seria sem este pensamento/crença ?
e
Inverta este pensamento !
Você pode encontrar outras inversões ?
Dê exemplos genuínos para cada inversão
Well gente, eu me aventurei e, com respostas honestas e desejando verdadeiramente entender o que está encoberto pelos meus pensamentos estressantes/crenças limitantes, consegui progredir mais um pouquinho nessa jornada que é a vida ! Mas que é duro é....
Pense nisso !
(mais informações: http://www.thework.com/index.asp ou o livro “ Ame a Realidade” da Byron Katie)
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