quarta-feira, 14 de abril de 2010

Metade da Jornada

Faço parte de um network onde esta semana surgiu uma discussão acalorada. Um de nossos colegas passou a vaga de abaixo:

Empresa de seleção de jovens executivos, busca identificar profissional para a vaga de Comunicação para uma multinacional americana com posição de destaque em diversos setores.

Posição baseada em São Paulo com reporte para Diretor LA. Profissional será responsável por guiar o time de comunicação e estabelecer estratégia regional de comunicação, produtos e serviços e programas relacionados na América Latina.

Experiência desejável:
* 7 a 10 anos de experiência em atividades que englobem marketing corporativo, comunicação institucional, arquitetura de marca, branding, publicidade e relações públicas.
* Vivência no gerenciamento de agência de propaganda, orçamento de comunicação, reporte de métricas e resultados de ações.
* Liderança de equipe, alinhamento de estratégia de marca e comunicação.
* Atuação nos setores químico, óleo&gás, energia, construção, cuidados pessoais.
* Fluência no Inglês e altamente desejável no Espanhol.
* Pós graduação, MBA preferido

Este profissional será responsável por:
* Criar e alinhar estratégia de produto, serviços e marca
* Estratégia e plano de comunicação com foco em brand equity
* Definição do mix, alocação de recursos, gerenciamento de agência, PR, media
* 25-40% viagens domésticas e pela América Latina

Perfil:
Maturidade
Liderança
Iniciativa
Hands-on
Criatividade
Relacionamento interpessoal excepcional e habilidade de criar relações
Experiência internacional / com diversas culturas
Habilidade de comunicação, objetividade e clareza
Visão estratégica de negócio, do detalhe ao todo
Habilidade de identificar talentos

Outra colega deste mesmo network candidatou-se. Em função do perfil absolutamente compatível, foi imediatamente contatada. A entrevista ia muito bem, até que a recrutadora perguntou a idade da candidata. Resposta: “42 anos”. E aí , minha gente, encerrou-se a oportunidade. Ela estava fora do perfil em função de sua idade.

A discussão acalorada abordou várias questões, tais como: idade como limite de competência, de energia, de adaptabilidade/resiliência, desatualização, conhecer com certa profundidade 6 setores econômicos vs. anos de exposição, visão estratégica, habilidade em identificar talentos, etc., etc., etc. Mercado com excesso de mão-de-obra...Enfim, superperfil para superpessoa. Claro que existem empresas que não limitam a competência pela idade. Mas percebo que percentualmente são minoria.
Tem algo errado, gente !

Com a expectativa de vida crescendo da forma que está, como uma pessoa, atualmente na faixa dos 40, vai passar os próximos 30 a 40 anos ?

Ela está na metade da jornada...

Pense nisso...

3 comentários:

  1. Preocupante isso. Mentalidade esquisita demais das empresas, concordo plenamente com sues comentários, porém isso vem de longa data e, pelo visto, demorará ainda muito para isso mudar. triste realidade!

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  2. Caras (os),

    Vejo estes comentários em todos os lugares onde candidatos a empregos se encontram para conversar. Neles, um fator comum é a aceitação passiva dos mais velhos com o que acontece regularmente. Afinal esse procedimento além de ilegal é estúpido.

    O desprezo pela experiência só é praticado por alguém que não a tem. Os achaques da idade são facilmente identificados durante uma entrevista, a inteligência e a experiência no negócio só quem tem nível equivalente pode atestar. Rejeitar um candidato apenas por sua idade indica um recrutador incapaz e preconceituoso.

    Qualquer organização que delega a escolha de quem vai ajudar conduzir a empresa em um ambiente de negócios turbulento e indefinido como o de hoje, a um profissional inexperiente, está só garantindo que os novos membros de seu corpo dirigente não têm base experimental para decidir. Na melhor das hipóteses vão escolher uma solução sobre a qual ouviram comentar em um MBA qualquer (daqueles sem sequer valor acadêmico).

    Achar que o recrutador faz apenas a triagem e que os melhores candidatos são efetivamente encaminhados ao corpo executivo para decisão é equivalente a acreditar que o Presidente da República fica bem informado apenas a partir do clipping de sua assessoria de imprensa. Quem pratica isso acaba lendo o que o assessor acha importante e não o que é importante.

    Esperar que o mundo se mude sem fazer nada a respeito ou esperar que os outros façam por nós não vai ajudar e não vai abreviar a agonia.

    Para quem ainda está na metade do caminho e só tem o emprego como alternativa, a espera pode ficar insuportável. Receber um atestado de obsolescência aos 40 é dose para leão, principalmente pela injustiça associada a isso. Ninguém dessa idade, tirando uma ou outra classe de bandidos, já juntou nessa idade dinheiro suficiente para viver sem emprego ou de subemprego.

    Duas sugestões que podem ser postas em prática pelos membros do grupo são:

    1. Por a boca no trombone. Denunciar as empresas que adotam essas práticas nos blogs, nos grupos da internet e ao ministério público. Eventualmente buscar os fundamentos para ir ao Ministério do Trabalho. A entrevista que Cecile descreve poderia ser gravada e seria prova aceita em qualquer tribunal. O falecido Toninho Malvadeza que o diga. Contou uma história aos promotores e quando negou, ouviu de seu advogado que a gravação feita sem conhecimento dele era uma prova válida. O que não se pode fazer é gravar conversas alheias e tentar usá-las em juízo. O que falam conosco pode ser gravado por nós.

    2. Quando estivermos contratando, não incorrermos no mesmo erro. Se precisarmos de alguém que faça a triagem por nós, reconheçamos que ele precisa saber o mesmo que nós, senão não vais saber escolher alguém que saiba fazer o que esperamos.

    Sei que o post é longo, mas o assunto merece mais do que um comentário rápido.

    Felicidades para todos, desempregados ou não.

    ng

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  3. Concordo com o que disse, Cê! E outra: como a pessoa vai ter aquilo tudo de experiência, maturidade e etc... aos 27 anos?
    Burra a recrutadora e, me desculpem, qquer um que esteja de acordo com ela!

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